Projeto de André Salineiro prevê multa de até R$ 250 mil à concessionária que incluir penalidades por suposta fraude na mesma fatura de consumo.

Vereador propõe barrar multas por “gato” na conta de água em Campo Grande
Projeto em análise na Câmara de Campo Grande quer proibir inclusão de multas por suposta fraude na mesma fatura de consumo de água. / Foto: João Paulo Ferreira

O vereador André Salineiro (PL) apresentou projeto de lei na Câmara Municipal de Campo Grande para proibir que a concessionária de água e esgoto inclua, na fatura mensal de consumo, valores referentes a multas, indenizações ou encargos decorrentes de suposta fraude no medidor.

Pela proposta, a cobrança desses valores deverá ser feita separadamente da conta de consumo de água. Caso a concessionária descumpra a norma, poderá receber advertência e multa que varia entre R$ 50 mil e R$ 250 mil, podendo dobrar em caso de reincidência.

Segundo o parlamentar, o objetivo é garantir transparência, respeito ao devido processo legal e proteção ao consumidor. Ele argumenta que a cobrança conjunta de consumo e penalidade por suposta fraude impede o direito de defesa do usuário e pode gerar constrangimentos.

Em conversa exclusiva com O Sul-mato-grossense, Salineiro afirmou que a iniciativa busca separar a cobrança pelo serviço essencial de eventuais penalidades. “Água é um serviço essencial. Não pode ser usada como instrumento de pressão para obrigar o consumidor a pagar uma multa que ele ainda pode estar discutindo. Uma coisa é a conta do consumo. Outra coisa é uma acusação de fraude. Isso precisa ser separado”, disse.

O vereador sustenta ainda que a inclusão das multas na mesma fatura configura exercício indevido de autotutela e viola o princípio constitucional que garante ao cidadão o direito de recorrer ao Judiciário. A proposta não altera a cobrança de juros e encargos por atraso no pagamento da conta de consumo regular.

O projeto prevê que os valores arrecadados com eventuais multas aplicadas à concessionária sejam destinados ao fortalecimento de ações e programas municipais de defesa do consumidor, especialmente por meio do Procon municipal.

A proposta segue em tramitação na Câmara Municipal e ainda precisa passar pelas comissões antes de ser votada em plenário.