Dos 18 presos no dia da operação, dois estão foragidos e dois conseguiram sair com tornozeleira eletrônica.

Justiça nega liberdade a ‘contador’ do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul
Operação Successione é um desdobramento da Omertà, que desmontou esquema de jogo do bicho em Campo Grande. / Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax

A Justiça negou liberdade a Willian Augusto Lopes Sgrinholi, um dos 18 presos na última ação contra o jogo do bicho, realizada em novembro de 2025. Ele já virou réu por organização criminosa armada e exploração ilegal do jogo do bicho.

Para o juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, não havia motivos para rever a prisão preventiva, que acabou mantida.

Segundo a Promotoria de Justiça, Willian era um dos responsáveis por contabilizar as receitas e despesas do grupo ao pai, Paulo do Carmo Sgrinholi.

Gaeco deflagra quarta fase da Operação Successione
Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a quarta fase da Operação Successione, contra uma organização criminosa que explora jogos ilegais.

Foram expedidos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã. Alvos também foram identificados no Paraná, em Goiás e no Rio Grande do Sul.

Em dezembro de 2023, o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande, após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019.

O deputado estadual Neno Razuk (PL) — filho de Roberto Razuk — é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa que contava com policiais militares como ‘gerentes’ do grupo que controlava o jogo do bicho no Estado.

Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul de MS. Até a década de 1990, o esquema em todo Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores.

Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name e a região de Dourados e Ponta Porã passou para Roberto Razuk. O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da revista Piauí, em dezembro de 2024.

Família Razuk e mais 20 são denunciados e serão julgados por jogo do bicho
O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL), seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk, e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.

A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025, no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7.º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro. Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande acatou a denúncia do MPMS.

Veja a lista completa de alvos:

Roberto Razuk, empresário e ex-deputado estadual
Rafael Godoy Razuk, filho de Roberto
Jorge Razuk Neto, filho de Roberto
Sérgio Donizete Balthazar, empresário
Flávio Henrique Espíndola Figueiredo
Jonathan Gimenez Grance (“Cabeça”), empresário 
Samuel Ozório Júnior, comerciante
Odair da Silva Machado (“Gaúcho”)
Gerson Chahuan Tobji
Marco Aurélio Horta, chefe de gabinete de Neno Razuk
Anderson Lima Gonçalves, sargento da Polícia Militar de MS
Paulo Roberto Franco Ferreira
Anderson Alberto Gaúna
Willian Ribeiro de Oliveira, empresário
Marcelo Tadeu Cabral, empresário e suplente de vereador em Corumbá
Franklin Gandra Belga
Jean Cardoso Cavalini
Paulo do Carmo Sgrinholi 
Willian Augusto Lopes Sgrinholi
Rhiad Abdulahad, advogado
Dos 20, dois estão foragidos: Flávio Henrique Espíndola Figueiredo, de 36 anos, e Gerson Chahuan Tobji, de 48 anos. 

De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.

A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.

“A organização criminosa se mantém ativa e atuante […] visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e Região”, apontam os promotores de Justiça Gerson Eduardo de Araújo, Antenor Ferreira de Rezende Neto, Tiago Di Giulio Freire e Moisés Casarotto.