Lula afirma que comércio entre Brasil e Índia pode ser feito em moedas locais, sem necessidade do dólar. Acordo visa aumentar comércio bilateral.

Lula dispensa uso do dólar no comércio com a Índia

Lula afirmou que não é necessário que o comércio entre os dois países seja em dólar, mas que isso não é algo para ser feito imediatamente, mas também não é uma “fantasia”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispensou, ao assinar um tratado nesta sexta-feira com o governo indiano, o uso do dólar nas transações comerciais entre os dois países. O acordo comercial entre Índia e Brasil foi fechado em moeda local, algo que o presidente brasileiro tem proposto junto ao grupo econômico BRICS, que reúne além do Brasil e Índia, a Rússia, a China e a África do Sul, entre outros.

Em entrevista ao canal indiano de TV ‘India Today’, nesta manhã, Lula afirmou que não é necessário que o comércio entre os dois países seja em dólar, mas que isso não é algo para ser feito imediatamente, mas também não é uma “fantasia”.

— Eu advogo que não é necessário que um acordo comercial entre Brasil e Índia tenha que ser feito em dólares. O que eu defendo é que podemos fazer em nossas próprias moedas. É difícil, sim, é difícil, mas podemos tentar — adiantou Lula.

Tarifas

As propostas de que países deixem de usar o dólar nas suas transações costumam incomodar muito o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já chegou a ameaçar os países do BRICS com tarifas de 100%, caso uma proposta de moeda única do bloco fosse levada adiante.

O presidente brasileiro reforçou, no entanto, que não há um debate formal, no âmbito do BRICS para a criação de uma moeda única.

— Ninguém propôs criar uma moeda do Brics. Não é esta a proposta — acrescentou Lula.

Transações

As conversas internas no grupo, com apoio do Novo Banco de Desenvolvimento, sob a direção da presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), tratam realmente sobre facilitação de comércio, como câmaras de compensação de pagamentos e transações em moedas locais.

Atualmente, o Brasil já negocia em moeda local com a China, por exemplo, desde 2023, e trabalha para ampliar movimentos desse tipo com outros países, incluindo a Índia, dentro do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) que existe entre Mercosul e Nova Delhi, o qual o Brasil acaba de ampliar.

Assinado em 2004, o acordo está em vigor desde 2009, mas é considerado limitado. O ACP prevê apenas em torno de 450 linhas tarifárias com taxas mais baixas para cada um dos países. Hoje em dia, o comércio bilateral entre Brasil e Índia é de US$15 bilhões, mas o Brasil tem como meta pelo menos dobrar esse valor, segundo Lula.

— Precisamos chegar a entre US$30 bilhões e US$40 bilhões de comércio por causa do tamanho dos nossos países e das nossas economias — pontuou Lula.

Golpe

Ainda na entrevista, Lula foi perguntado sobre a situação jurídica do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) e se o caso foi decidido dentro das regras constitucionais brasileiras. Lula esclareceu que “o problema do Bolsonaro está resolvido” e ressaltou que a condenação ocorreu após julgamento conduzido pela Suprema Corte.

— Ele (Bolsonaro) planejou um golpe de Estado, planejou me matar, matar meu vice e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Isso está documentado, tem provas disso — concluiu.