Fechamento das aduelas marca etapa simbólica da obra que pode mudar o mapa logístico da América do Sul.
A obra que pode mudar o destino econômico de Mato Grosso do Sul e reposicionar a América do Sul nas rotas globais de comércio está cada vez mais próxima de se tornar realidade. A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, entrou na fase final da ligação física entre os dois países — e já tem data simbólica para o encontro definitivo das estruturas.
A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que conectará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, está próxima de sua conclusão estrutural. Com 1.294 metros de extensão, faltam apenas 101 metros para o encontro das estruturas, previsto para maio. A obra conta com 280 trabalhadores brasileiros e paraguaios. O projeto, que inclui ciclovia, passagem para pedestres e monitoramento em tempo real, será concluído em agosto de 2026. A ponte é parte fundamental do Corredor Rodoviário de Capricórnio, podendo reduzir em 9,7 mil quilômetros o trajeto marítimo das exportações brasileiras para a Ásia, com economia de até 17 dias nas viagens à China.
Dos 1.294 metros de extensão da ponte estaiada, restam apenas 101 metros para o fechamento total. A chamada aduelas de fechamento, conhecida popularmente como o “beijo” da ponte, deve acontecer até o fim de maio, marcando o momento em que Brasil e Paraguai estarão unidos por concreto, aço e estratégia econômica.
Hoje, cerca de 280 trabalhadores brasileiros e paraguaios atuam diretamente no canteiro de obras, acelerando a etapa considerada uma das mais complexas da engenharia do projeto.
Engenharia de precisão e monitoramento em tempo real
Mesmo após o encontro das estruturas, a obra seguirá em ritmo intenso. A próxima fase inclui a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto armado que irão integrar definitivamente os dois lados da ponte.
Ao todo, 168 estais sustentam o vão central e passarão por processo de retensionamento, além da instalação de 168 amortecedores, responsáveis por reduzir vibrações provocadas por vento e tráfego pesado.
A tecnologia também será protagonista. Sensores eletrônicos serão instalados nos pilares principais e nos cabos para monitorar cargas e movimentos em tempo real. Os equipamentos enviarão dados continuamente para computadores que acompanharão o comportamento estrutural da ponte — inclusive durante a passagem de veículos.
Estrutura pensada além dos caminhões
A ponte não será apenas um corredor de cargas. O projeto prevê iluminação fluvial para garantir segurança à navegação no Rio Paraguai, além de ciclovia e passagem para pedestres, com grades de proteção ao longo da estrutura.
Na etapa final, estão previstos asfaltamento, pintura, sinalização viária e iluminação ornamental. A entrega completa está programada para agosto de 2026.
O elo que encurta distâncias entre continentes
Considerada peça-chave do Corredor Rodoviário de Capricórnio, a ponte integra a chamada Rota Bioceânica, que ligará os portos brasileiros aos terminais do norte do Chile, em Antofagasta e Iquique, atravessando Paraguai e Argentina.
O impacto logístico é expressivo: a nova rota poderá reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros o trajeto marítimo das exportações brasileiras rumo à Ásia. Em viagens para a China, a estimativa é de queda de até 23% no tempo de transporte, representando economia de 12 a 17 dias.
Nova fronteira econômica
Além da ponte, estão previstas estruturas alfandegárias integradas nos dois lados da fronteira. A Receita Federal projeta fluxo inicial de 250 caminhões por dia, número que tende a crescer conforme o corredor bioceânico se consolide como alternativa estratégica para o comércio entre Mercosul e países asiáticos.
Mais do que uma obra de engenharia, a ponte simboliza uma mudança de eixo econômico. Para Mato Grosso do Sul, representa a transformação de um território historicamente interiorano em porta de saída para o Pacífico — e, consequentemente, para o maior mercado consumidor do planeta.












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