O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, insistiu que seu país não aceitará as exigências territoriais da Rússia, que pede para ficar com todo o Donbass e, desta forma, encerrar a guerra.

Zelensky insiste que Ucrânia não aceitará exigências territoriais da Rússia
Volodymyr Zelensky. / Foto: EFE/Arquivo/CHRISTOPHE PETIT TESSON

Ele também explicou que o acordo sobre as garantias de segurança que pede aos Estados Unidos para que o Kremlin não volte a invadir deve ser assinado antes que se confirme o hipotético acordo de paz que encerre o conflito.

“Até o momento não encontramos um compromisso na questão territorial, concretamente sobre a parte leste da Ucrânia. Estamos falando da região de Donetsk”, disse Zelensky, citado pela agência pública ucraniana, Ukrinform, em uma entrevista coletiva realizada em Kiev.

Donetsk está controlada em mais de 75% pela Rússia e forma, junto com Lugansk — tomada quase por completo pelo Kremlin —, a região do Donbass, que Moscou pede ficar na sua totalidade como condição inegociável para baixar as armas.

Zelensky voltou a se mostrar aberto à possibilidade proposta pelos EUA de criar uma zona econômica livre sem presença militar na área agora sob controle de Kiev exigida por Moscou, mas deixou claro que isso deve ocorrer sem que este território deixe de ser ucraniano.

Sobre a ordem em que pede que sejam assinados os diferentes acordos para que termine o conflito, Zelensky disse que aquele que deve garantir que os EUA virão em ajuda de Kiev, caso a Rússia volte a invadir seu território, deve ser assinado antes dos demais.

“Conseguiu-se muito, mas as pessoas precisam acreditar neste progresso, porque depois de uma guerra tão difícil há pouca confiança. Precisamos de algo com o que possamos contar. Neste caso, o principal com o que podemos contar são as garantias de segurança”, afirmou o mandatário ucraniano.

Segundo disse repetidamente Zelensky, o documento — pelo qual os EUA ofereceriam a Kiev garantias de segurança inspiradas no artigo 5º do Tratado da Otan, pelo qual os Estados-membros se comprometem a apoiar qualquer país-membro atacado — está pronto e resta apenas que seja assinado em nível de presidentes e aprovado no Congresso dos EUA para que seja vinculante.

O presidente ucraniano afirmou também que conta que os EUA pressionem a Rússia para que esta aceite o plano de 20 pontos negociado entre Washington e Kiev, a fim de que sirva de base para pôr fim ao conflito.

Zelensky disse ainda, sobre a delegação enviada por Moscou aos contatos trilaterais entre russos, ucranianos e americanos — iniciados no final da semana passada nos Emirados Árabes e que devem ser retomados lá no domingo —, que sua composição demonstra uma maior vontade de chegar a um acordo do que em reuniões anteriores.

A Rússia enviou a Abu Dhabi uma delegação composta integralmente por militares. Em rodadas anteriores de contatos, o Kremlin havia sido representado por figuras de perfil mais político e ideológico que — segundo denunciaram negociadores ucranianos — apresentavam seus argumentos históricos para justificar a guerra e chegaram a ameaçar integrantes da delegação de Kiev.