Sargento João Ricardo Soler era gerente de Contra Inteligência da Casa Militar. Ele foi preso por suposto envolvimento em esquema de grampos
O governo do estado publicou, nesta sexta-feira (29), a exoneração do sargento da Polícia Militar João Ricardo Soler do cargo de gerente de Contra Inteligência da Casa Militar. Soler foi preso nesta semana durante a Operação Esdras, por suposto envolvimento em um esquema de interceptações clandestinas no estado.
O ato de exoneração, que é retroativo ao dia 11 de setembro, foi publicado no Diário Oficial que circulou nesta sexta-feira (28). O G1 não conseguiu localizar a defesa do sargento Soler, que está preso no Batalhão da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) desde quarta-feira (27), quando a operação foi deflagrada.
Na decisão que determinou a prisão do sargento da PM, o desembargador Orlando Perri - que é o relator do inquérito dos grampos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) - afirma que Soler teria instalado uma microcâmera na farda do tenente-coronel José Henrique Costa Soares, que atuava como escrivão nas investigações dos grampos na PM.
O objetivo da manobra, segundo Perri, seria gravar uma conversa com o desembargador, que seria possivelmente utilizada para tentar afastá-lo do processo de investigação. Além de instalar o equipamento, Soler teria orientado o tenente sobre como utilizá-lo para fazer a gravar o magistrado.
Operação Esdras
Além do sargento Soler, também foram presos durante a operação os secretários afastados de Segurança Pública (Sesp) e de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), delegado Rogers Jarbas e coronel Airton Siqueira, respectivamente; o coronel da PM Evandro Lesco e a mulher dele, Helen Lesco; o ex-chefe da Casa Civil e primo do governador de Mato Grosso, Paulo Taques; e o empresário JOsé Marilson.
Grampos
O esquema foi denunciado à Procuradoria-Geral da República pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que foi secretário de Segurança em 2015. Ele diz que recebeu denúncia do caso naquele ano e que alertou o governador Pedro Taques.
Agora, a PGR investiga se Taques sabia do crime e de quem partiu a ordem para as interceptações. O governador, por sua vez, nega que tinha conhecimento sobre o caso.
Segundo consta na denúncia, políticos de oposição ao atual governo de Mato Grosso, advogados, médicos e jornalistas tiveram os telefones grampeados.
Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas que teria o envolvimento de policiais militares. O resultado dessa investigação, porém, não foi informado pelo governo até hoje.
Denúncia do MP
Em julho deste ano, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, e os coroneis Evandro Lesco e Ronelson Barros (ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar,) o tenente-coronel Januário Batista, e o cabo Gerson Correa Junior por participação no esquema de grampos. Eles foram acusados de ação militar ilícita, falsificação de documento, falsidade ideológica e prevaricação.













Olá, deixe seu comentário!Logar-se!