Apuração busca saber se ex-presidente do Banco Central tinha conhecimento de fraudes bilionárias ou foi induzido por esquema interno.

PF investiga se Campos Neto foi enganado ou se omitiu no caso Banco Master
/ Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal abriu uma nova frente de investigação para apurar o papel do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nas operações que autorizaram a venda e reestruturação de ativos ligados ao Banco Master.

O foco dos investigadores é determinar se Campos Neto foi induzido ao erro por diretores da própria autoridade monetária — que teriam utilizado práticas como falsificação de assinaturas e adulteração de documentos — ou se tinha conhecimento das irregularidades e, ainda assim, deu aval às transações.

O banco era controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações que apuram um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Segundo a PF, há indícios de que o esquema contava com elevado grau de sofisticação técnica, estruturado para burlar mecanismos de controle e resistir a auditorias convencionais. A hipótese é de que a fraude só tenha sido possível com a atuação coordenada de agentes do setor público e privado.

A investigação também aponta que inconsistências contábeis relevantes podem ter sido mascaradas ao longo do processo de aprovação, criando uma aparência de legalidade para operações sob suspeita.

Campos Neto comandou o Banco Central entre 2019 e 2024, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, sua atuação passa a ser analisada sob dois eixos principais: possível omissão diante de sinais de irregularidade ou eventual participação indireta ao validar decisões baseadas em informações distorcidas.

Neste momento, a Polícia Federal concentra esforços no cruzamento de comunicações internas e na análise pericial de documentos digitais, buscando reconstruir a cadeia de decisões dentro do Banco Central.