Suzilaine da Graça Costa, de 28 anos, foi presa na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após levar uma recém-nascida de Campo Grande para o país vizinho.
A investigação conduzida pela delegada Anne Karine Trevizan, titular da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), aponta que o crime foi meticulosamente planejado ao longo de meses, sem qualquer ligação com tráfico de crianças ou facções criminosas.
A suspeita teria criado uma conta em aplicativo de transporte um dia antes do sequestro para evitar ser identificada. No dia 8 de março, ela buscou a mãe, uma adolescente de 17 anos, e a bebê, levando-as para um imóvel em Campo Grande que serviu de cativeiro. No local, contou com a ajuda de um homem que cedeu a casa por R$ 1 mil e foi preso em flagrante no sábado (8). As duas jovens foram deixadas em um matagal, enquanto Suzilaine permaneceu com a criança.
Para chegar até a vítima, a sequestradora se aproximou da família por meio de grupos de WhatsApp de bairros, onde doava roupas, fraldas e alimentos. Durante cerca de um mês, ela visitou a casa da adolescente e conquistou sua confiança. No dia anterior ao crime, ofereceu uma sessão fotográfica para a bebê, mas a família não permitiu devido ao frio. No dia seguinte, prometeu pagar R$ 100 para que a jovem cuidasse de uma suposta filha de seis meses, que, na verdade, era sua neta.
Após o sequestro, Suzilaine levou a bebê para a casa da própria filha, trocou sua roupa para que parecesse um menino e também substituiu o bebê-conforto. Em seguida, seguiu para o Paraguai, onde foi localizada na madrugada de domingo (9) em uma residência no bairro Virgen de Caacupé, na esquina das ruas Alejo García e Coronel Martínez. No local, ela e Alex Melo de Abreu, seu companheiro, foram presos em flagrante. Alex usava documento falso e tinha mandado de prisão em aberto por homicídio.
Durante a coletiva de imprensa na sexta-feira (14), a delegada Anne Karine Trevizan detalhou que a suspeita criou uma narrativa de que estaria grávida para justificar a criança e preservar o relacionamento com o companheiro. Ela teria contado a ele sobre uma suposta gravidez e, posteriormente, um aborto, mas a investigação descobriu que nunca houve gestação. Suzilaine, que já tem três filhos criados pela avó, passou boa parte da adolescência presa, o que, segundo a delegada, explicaria sua motivação de ter uma filha.
Embora a suspeita admita ter levado a criança, ela continua sustentando a versão de que o sequestro teria relação com uma dívida de drogas. A delegada acredita que essa história foi inventada para despistar a polícia e fazer as adolescentes acreditarem que havia envolvimento de uma facção. A investigação descartou qualquer ligação com tráfico internacional ou venda de bebês, classificando o caso como crime isolado.
A bebê foi resgatada e passou por exames no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero antes de ser repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã. Na terça-feira (11), ela retornou a Campo Grande e, na quarta-feira (13), foi devolvida à família. A delegada orienta que famílias tenham cautela com pessoas que se aproximam oferecendo doações ou benefícios, especialmente em grupos de bairro. “Tem que ter cautela, cuidado, não ir acreditando em todo mundo”, alertou. O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise da participação de cada envolvido.













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