Conforme relato da vítima, homens encapuzados procuravam pela irmã que é líder da comunidade

Mulher indígena denuncia suposta tortura e tentativa de sequestro em Caarapó
Fachada da delegacia de Polícia Civil de Caarapó / Foto: (Foto: Divulgação)

Uma mulher indígena denunciou que homens armados a torturaram na área de retomada de Guyraroká, em Caarapó. O caso foi publicado nas redes da Kunangue Aty Guasu, a Grande Assembleia de Mulheres Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul.

Conforme a publicação, o caso teria ocorrido em 27 de janeiro, quando um grupo de homens encapuzados teriam, segundo a vítima, invadido a casa de uma liderança na tentativa de sequestrá-la. No local estaria apenas a irmã da líder, que teria sido, supostamente, torturada.

A vítima relatou ter sido amarrada, amordaçada e teve uma arma colocada em sua boca para que contasse o paradeiro da irmã. Ela conseguiu resistir e não relatou onde é que a liderança estava.

Os homens deixaram a vítima presa dentro da própria casa antes de fugirem. O caso foi registrado na delegacia de Polícia Civil. Segundo a organização, o território Guyraroká vive há décadas sob conflitos territoriais e insegurança. Conforme o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), a área faz parte de uma fazenda retomada que está sobreposta ao território indígena.

Em janeiro deste ano, um acordo firmado autorizou a permanência dos indígenas na Fazenda Ipuitã. As condições são provisórias e têm validade até o trânsito em julgado da ação. Pelo termo, foi definida uma área de uso exclusivo dos indígenas, onde fica proibido o uso de defensivos agrícolas.

Outro espaço delimitado pelo acordo autoriza a comunidade a construir moradias provisórias e a realizar o cultivo. A comunidade também tem acesso ao rio, à reserva de mata ciliar e às plantas medicinais.

A fazenda se sobrepõe à terra indígena Guyraroká, declarada de posse permanente em portaria do Ministério da Justiça de 2009. A demarcação, porém, foi anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) com base na tese do marco temporal.

Em outubro do ano passado, o caso foi encaminhado à Comissão Fundiária, que visitou o local em dezembro e propôs audiência de conciliação.