Programa de renovação de frota consumiu 95% dos recursos totais em apenas dois meses, porém caminhoneiros independentes responderam por apenas R$ 900 milhões em financiamentos.

Move Brasil 2 já aprovou R$ 20 bilhões para financiar caminhões e ônibus
Programa de renovação de frota consumiu 95% dos recursos totais em apenas dois meses, porém caminhoneiros independentes responderam por apenas R$ 900 milhões em financiamentos. / Foto: Divulgação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 20 bilhões em financiamentos do programa BNDES Mais Mobilidade, consumindo 95% da dotação orçamentária de R$ 21 bilhões destinada à segunda fase do Move Brasil. O ritmo acelerado das contratações indica que a linha voltada à renovação da frota de caminhões e ônibus deve esgotar seus recursos antes do encerramento do prazo para protocolar novas operações, marcado para 28 de agosto. Embora a Medida Provisória nº 1.362/2026, que criou o Move Brasil 2, permaneça em vigor até 22 de setembro, após prorrogação automática por mais 60 dias, os pedidos de financiamento precisam ser apresentados ao BNDES até o fim de agosto.

Apesar da forte demanda, os números mostram que a maior parte do dinheiro continua concentrada nas empresas de transporte. Dos R$ 20 bilhões já aprovados, R$ 19,1 bilhões foram destinados aos frotistas, em cerca de 17,2 mil operações. Os caminhoneiros autônomos ficaram com apenas R$ 900 milhões, distribuídos em 2,1 mil financiamentos.

Embora o programa tenha praticamente esgotado seus recursos globais, a linha destinada aos caminhoneiros autônomos continua avançando em ritmo mais lento. Dos R$ 2 bilhões reservados ao segmento na segunda fase do Move Brasil, R$ 900 milhões já foram aprovados pelo BNDES, indicando que aproximadamente R$ 1,1 bilhão permanece disponível.

O desempenho reforça um diagnóstico que já vinha sendo apontado pelo mercado: embora exista dinheiro disponível, o caminhoneiro independente continua encontrando dificuldades para transformar a demanda em contratos efetivamente aprovados.

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Dificuldades de acesso
A reportagem publicada pela Agência Transporte Moderno nesta semana mostrou que os principais obstáculos permanecem os mesmos observados em programas anteriores de renovação de frota. A dificuldade de comprovar renda, as exigências bancárias, o elevado custo dos caminhões e o receio de assumir financiamentos de longo prazo continuam limitando o acesso dos transportadores independentes ao crédito. (Leia aqui).

O contraste é evidente. Enquanto o programa praticamente esgotou seus recursos globais em pouco mais de dois meses, a linha reservada aos autônomos segue com uma parcela significativa ainda disponível.

Segundo o BNDES, o programa já soma mais de 19 mil operações, com tíquete médio de aproximadamente R$ 1 milhão, beneficiando transportadores em 1.966 municípios brasileiros. O banco afirma que chegou a aprovar quase 1.400 operações por dia e destaca que a iniciativa busca renovar uma frota mais segura, eficiente e menos poluente.

A baixa participação dos autônomos, entretanto, reforça um problema estrutural. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que justamente esse grupo concentra os caminhões mais antigos do país, com idade média próxima de 24 anos, muito acima da frota das transportadoras. Ainda assim, são eles que enfrentam maior dificuldade para obter financiamento.