Farão parte da agenda o titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Elias Verruck, e representantes de diversos segmentos que compõem a mobilização.
Convocada pelo presidente da Federação das Indústrias (Fiems), Sérgio Longen, na próxima quinta-feira, 5, a partir das 10 h, acontecerá em Campo Grande uma importante reunião na escalada do Movimento Pela Reativação da Malha Oeste, a estrada de ferro de São Paulo a Mato Grosso do Sul, que inclui o trecho conhecido como "Trem do Pantanal". Farão parte da agenda o titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Elias Verruck, e representantes de diversos segmentos que compõem a mobilização.
Uma das motivações desse encontro é o engajamento da Fiems, a maior entidade do segmento industrial sulmatogrossense. O movimento, que tem bases sólidas e atuantes em Corumbá e outras cidades ao longo da via férrea da antiga Noroeste do Brasil (NOB), solicitou a reunião em um ofício remetido à Fiems no´dia 07 de janeiro deste ano. O documento tem as assinaturas do arquiteto Abrão Osvaldo, advogado Cezar Mafus Maksoud, administrador Ricardo Figueiró, engenheiros Moacir Lacerda, Alexandre Luiz dos Soares, Jary Castro e Diogo Rodrigues, e mais de 70 entidades sociais, classistas e de serviço.
EFICIÊNCIA LOGÍSTICA
No ofício, ao destacar a importância do engajamento da Fiems, seus subscritores argumentam que o estado tem "posição geoestratégica central na logística nacional e internacional". E por ser um polo produtor de grãos, carnes e produtos minerais, sua competitividade depende da eficiência logística. O movimento reforça que a Malha Oeste, ao fazer a conexão SP-MS, "constitui peça fundamental para reduzir custos de transporte, fortalecer o escoamento da produção e inserir o Estado de forma competitiva nas cadeias de comércio exterior e no Corredor Bioceânico, traduzindo-se em desenvolvimento econômico sustentável para toda a região sulamericana".
Assim, a reunião é reivindicada para que a Fiems e a sua equipe técnica, "com a maior brevidade possível", colabore com uma discussão aprofundada da reativação da Ferrovia Malha Oeste e das estratégias de sua divulgação junto aos setores públicos e empresariais. O ofício, por fim, salienta que a reativação da Ferrovia Pantaneira é passo importante e urgente para que Mato Grosso do Sul não seja apenas um corredor de passagem de interesses meramente privados, pois seu povo "não deseja ser tratado ou comparado às cargas e comodites que serão transportadas".
A Malha Oeste, com 1.973 km, liga Mairinque (São Paulo) a Corumbá (Mato Grosso do Sul). É projeto estratégico, focado em escoar a produção agrícola e industrial e integrar a Rota Bioceânica ao Pacífico. Outro objetivo do movimento por sua reativação é resgatar o trem de passageiros, serviço desativado nos anos 1990, quando a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) foi privatizada.
NOVO LEILÃO
A Rumo Logística, antiga concessionária, não teve a renovação aprovada pelo Tribunal de Contas da União, devido a metas não cumpridas, o que impôs a necessidade de um novo leilão. O contrato da Rumo vencerá em julho próximo e o novo edital acende a esperança do movimento. Em território sulmatogrossense, a ferrovia tem duas conexões: a linha-tronco, de Três Lagoas a Corumbá, na fronteira com a Bolívia e passando por Campo Grande, tem cerca de 800km; e o ramal Campo Grande-Ponta Porã, fronteira com o Paraguai, tem 348 km.
Vale anotar que já na fronteira com a Bolívia o país vizinho tem sua ferrovia. A ferrovia boliviana começa em Puerto Quijarro, cidade vizinha a Corumbá, e segue até Santa Cruz de la Sierra. Conhecido como "Trem da Morte", o trajeto percorre cerca de 618 a 650 km, atravessando a região oriental boliviana e conectando o leste do país ao seu principal centro comercial.
GANHOS SOCIAIS
Entre Corumbá e Campo Grande, o percurso ficou romanticamente conhecido como "Trem do Pantanal" e inspirou uma canção com o mesmo nome, composição de Paulo Simoes e Geraldo Roca, gravada por Almir Sater e dezenas de outros intérpretes. Lidereanças ferroviárias corumbaenses participam com destaque do movimento, entre eles o ex-deputado federal Manoel Vitório e o professor Anízio Guató, ambos ex-ferroviários.
Assim como seus conterrâneos e o conjunto dos sul-mato-grossenses, Vitório e Guató fazem questão de enfatizar que a reativação da Malha Oeste precisa ser efetivada englobando os ganhos sociais e humanistas. O viés da economia e da competitividade pelo transporte de cargas é necessário. Mas tão importante quanto isto é contemplar os ganhos sociais e culturais, com a retomada do transporte de passageiros, a oferta de viagens mais baratas e o aquecimento do turismo sustentável", defendem.











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