Menino de 7 anos está com o pai a caminho do Tocantins, onde mora. Em áudio, mulher havia dito que não aguentava mais o garoto e ameaçou matá-lo.
A dona de casa de 31 anos que havia sido presa por torturar o filho foi solta em audiência de custódia realizada em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Já o menino, de 7 anos, seguiu nesta quarta-feira (13) com o pai para Araguaína, no Tocantins, onde ele mora.
“Ele já pedia para voltar a morar com o pai antes da agressão. Ele foi o único que quis ir com o pai. As outras duas filhas que eles têm juntos preferiram ficar”, explicou ao G1 o conselheiro tutelar que acompanha o caso, Edson Silva.
O crime ocorreu no último sábado (9), na casa da família, em Senador Canedo. O menino teve hematomas nas costas, peito, braços e pescoço. Após espancá-lo, a mãe gravou mensagens de voz ameaçando matar o menino se o pai dele não viesse buscá-lo.
O pai da criança, um caminhoneiro de 38 anos, divulgou os áudios em redes sociais. No dia seguinte, com a repercussão das gravações, uma equipe das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitana (Rotam) localizou a dona de casa e a prendeu.
Investigação
A investigação do caso está sob responsabilidade da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Senador Canedo. Aos policiais, o menino agredido disse que esta foi a primeira vez a mãe dele bateu dessa forma.
A versão do garoto foi confirmada pelas irmãs de 13 e 11 anos em depoimento à Polícia Civil. Os investigadores também colheram o depoimento do pai do menino. Ele também crê que a agressão se tratou de um “fato isolado”.
“O pai alega que não sabia de agressões anteriores. Ele acha que o fato ocorreu devido à situação da família, com muitos filhos, desempregados e o estresse acabou gerando a agressão”, disse ao G1 a delegada responsável pelo caso, Ana Paula de Paula Machado.
Ao todo, 11 pessoas moram na mesma casa em Senador Canedo, sendo a mulher presa, o atual marido, quatro enteados, quatro filhos dela de relacionamentos anteriores e uma menina de 5 meses de vida, filha do casal.
A previsão é de que a investigação do caso seja concluída nesta semana. ”Estamos em fase final de investigação, vou solicitar ao Conselho Tutelar o acompanhamento feito e, até o final da semana, espero encerrar o inquérito”, concluiu Ana Paula.
Caso seja condenada pelo crime de tortura, a mulher pode ficar de 2 a 8 anos presa.
Desespero e arrependimento
Na segunda-feira (11), a mulher contou que bateu no filho e fez as gravações em um momento de desespero. Ela alega que conversou com o garoto várias vezes, mas ele não a escutava.
"Ele já tinha tido suas reclamações no colégio, estava dando trabalho em casa. No dia que bati, ele tinha estragado o urso de pelúcia da irmã e cortado o chileno novinho de outro menino", relatou.
A dona de casa disse que está arrependida.
"Eu quis disciplinar para não ver meu filho na bandidagem, mas passei dos limites. Reconheço meu erro. Não tenho coragem de matar ele”, disse a mãe.
A mãe explicou ainda que há meses trouxe os três filhos que moravam com o pai em Araguaína, no Tocantins, para Senador Canedo. De acordo com ela, o pai é caminhoneiro e não dava a devida atenção às crianças.
O conselheiro tutelar explicou que os demais filhos da mulher, com exceção do bebê, estão com parentes até que o caso seja devidamente analisado. A mãe também recebe assistência psicológica.













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