Verdadeiro alvo deveria estar na loja no mesmo horário, mas ele não foi ao local e pistoleiros mataram a pessoa errada.
O caso Vitor Orsini ganhou um novo capítulo com a informação de que o rapaz foi assassinado por engano, na garagem de veículos que pertence ao pai, localizada na Avenida Hayel Bon Faker, no Jardim Água Boa, em Dourados. O crime aconteceu no dia 7 de agosto.
Importante destacar que, até o momento, a polícia não se pronunciou oficialmente sobre isso. No entanto, essa é a principal linha de investigação que ganhou ainda mais força depois da prisão de Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, na última sexta-feira (21/8), em Ponta Porã – cidade que faz fronteira com o Paraguai.
Segundo informações apuradas até o momento, Cláudio teria planejado emboscada para assassinar um homem com quem havia sido preso por tráfico de drogas em 2013. O dono de academia teria usado a falsa negociação de uma Toyota SW4 para atrair o alvo até a loja da família de Vitor.
Os pistoleiros chegaram ao estabelecimento no horário marcado, confundiram o rapaz com a pessoa que deveria ser morta e dispararam contra ele pelo menos três vezes.
A investigação, que ainda não está 100% concluída, encontrou no celular de Vitor conversas mantidas com Claudio antes do assassinato, em que o empresário teria procurado a garagem com o pretexto de comprar a caminhonete e avisado que uma pessoa iria ao local por volta das 14h para avaliar o veículo. O suposto interessado, na verdade, era o homem escolhido como alvo da emboscada.
A questão é que o homem não apareceu como previsto e os autores encontraram Vitor próximo aos veículos da loja. Como o jovem estava de costas, os assassinos acreditaram que se tratava da pessoa indicada para morrer e o executaram.
Com isso, fica evidente que o rapaz não tinha relação com a disputa que motivou o plano e acabou envolvido porque trabalhava na garagem da família.
A reportagem do Campo Grande News publicou que o verdadeiro alvo de Cláudio mora em Dourados e não é investigado pela morte de Vitor Orsini. Como mencionado anteriormente, ele e Cláudio foram presos em 2013, em operação contra esquema de tráfico de cocaína que atuava a partir de Ponta Porã e enviava droga para outros estados brasileiros.
O homem que deveria ter sido morto também acumula outros antecedentes e voltou a ser preso por tráfico em 2024. Esse histórico passou a ser uma das peças consideradas pela investigação para entender por que ele teria sido escolhido como alvo.
Suposto motivo para a execução
Supostamente, esse homem teria se tornado informante da polícia, fato que teria motivado a ordem dentro do grupo ligado ao tráfico de drogas para ser assassinado.
Contudo, a PC (Polícia Civil) ainda não confirmou a informação. Também não está claro se Cláudio teria dado a ordem para o assassinato ou se participou do planejamento do crime como intermediário.
Cláudio preso em Ponta Porã
Conforme noticiado na sexta-feira, Cláudio foi preso em Ponta Porã, durante as diligências para identificar todos os envolvidos na morte de Vitor. Na casa dele, os agentes do SIG (Setor de Investigações Gerais) apreenderam 38 munições calibre 380 e R$ 10 mil em espécie.
Bem anteriormente a isso, o dono de academia foi preso juntamente com outras cinco pessoas. Segundo o processo, o grupo comprava veículos de alto valor para transportar a droga e transferia os automóveis para os nomes dos motoristas usados nas viagens. Inicialmente, o empresário foi condenado inicialmente a 31 anos de prisão, mas conseguiu reduzir a pena para 14 e oito meses no TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), cumprindo parte da sentença em regime fechado e depois deixou a prisão.
Nesta segunda-feira (24/8), a polícia divulgou as fotos de Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23 anos, e Jeferson Lopes, de 31, ambos de Ponta Porã. O segundo indivíduo teria dirigido uma BMW que levou os dois pistoleiros da fronteira até Dourados, enquanto Marcos é suspeito de participar da contratação dos autores dos disparos. Eles seguem foragidos.
Os primeiros presos
Ao todo, quatro pessoas estão presas. O primeiro a ser apreendido foi um adolescente, de 17 anos, que teria participado da preparação do crime. O segundo foi Denis Barbosa de Melo, de 22, apontado como autor dos tiros, enquanto, depois dele, os policiais prenderam Alexsander Gonçalves Borges, de 27, que teria pilotado a moto usada na chegada à garagem e na fuga e, or fim, Cláudio.
Relembre o caso
Vitor trabalhava na loja da família, na Avenida Hayel Bon Faker, região do Jardim Água Boa, quando foi assassinado por volta de 14h10. Câmeras de segurança da empresa registraram Denis chegando ao local na garupa de uma Honda Biz, enquanto Alexsander teria permanecido sobre a motocicleta à espera do comparsa.
O atirador entrou na garagem, pediu para usar o banheiro e ao retornar, se aproximou da vítima que estava de costas, conversando com outro homem, e efetuou os disparos. O primeiro tiro atingiu a cabeça do jovem e o derrubou, e outros dois foram feitos quando ele já estava no chão. Antes de fugir, Denis ainda apontou a arma para o gerente da garagem.
Horas após o crime, a GMD (Guarda Municipal de Dourados) encontrou a motocicleta usada no crime abandonada no Jardim Canaã 6, perto de uma estação de tratamento de esgoto.
A apuração indica que os dois envolvidos deixaram Dourados em um carro de aplicativo e seguiram para a região de fronteira.
Ainda vale mencionar que o caso não está completamente concluído, já que a polícia ainda tenta esclarecer quem ordenou a morte do verdadeiro alvo, qual foi a participação de cada integrante do grupo e por que a emboscada terminou com Vitor.













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