Mensagens analisadas após perícias reforçaram a linha investigativa sobre a identidade dos destinatários citados nas conversas; deputado nega envolvimento e investigação segue sob sigilo.

EXCLUSIVO: Gaeco trabalha com a hipótese de que “DEP” citado em conversa sobre divisão de R$ 156 mil seria o deputado Jamilson Name

 

As investigações da Operação Gutenberg ganharam um novo e sensível desdobramento político.

O Portal O Contribuinte apurou, com exclusividade, que a força-tarefa passou a trabalhar com a hipótese de que a identificação “DEP”, mencionada em conversas entre integrantes da organização criminosa investigada pelo Gaeco, faria referência ao deputado estadual Jamilson Name.

A informação surgiu após novas análises periciais realizadas sobre celulares, mensagens e demais elementos apreendidos durante a investigação.

Segundo a apuração do O Contribuinte, existem outros diálogos e elementos técnicos já analisados pelos investigadores que reforçariam essa linha investigativa, embora parte desse material permaneça sob sigilo e ainda não possa ser divulgada publicamente.

Divisão de R$ 156 mil
O ponto central é uma sequência de mensagens de agosto de 2022.

Nelas, o então coordenador estadual da Regulação da Saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, registra três pagamentos exatamente iguais:

R$ 52.217,75 — EC;

R$ 52.217,75 — JR;

R$ 52.217,75 — DEP.

O valor total chega a R$ 156.653,25.

Logo depois, Ed Carlo envia outra mensagem afirmando: “Vou entregar pro Dep.”

Na interpretação inicial dos investigadores, EC representa Ed Carlo, JR faria referência a Júnior Vasconcelos, enquanto DEP seria um deputado.

Segundo apuração exclusiva do O Contribuinte, a investigação passou a concentrar esforços para confirmar se essa referência corresponde ao deputado estadual Jamilson Name.

Júnior ocupava gabinete do deputado
A hipótese investigativa ganha relevância porque Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido politicamente como Júnior Vasconcelos, exercia funções diretamente ligadas ao gabinete parlamentar de Jamilson Name.

Embora atualmente seja ex-assessor, após exoneração ocorrida depois da Operação Gutenberg, documentos oficiais mostram que, durante o período investigado, ele estava cedido para atuar na Assembleia Legislativa junto ao gabinete do parlamentar.

Júnior também aparece diversas vezes nas conversas reproduzidas pelo relatório do Gaeco.

Em diferentes diálogos, ele é citado em negociações envolvendo contratos com municípios, percentuais de pagamento, articulações políticas e distribuição de valores.

Transferência para Júnior
Além das mensagens, outro elemento reforçou o interesse dos investigadores.

O relatório aponta que Júnior recebeu R$ 22,5 mil diretamente da Editora Avante no mesmo dia em que recursos públicos ingressaram na conta da empresa após pagamento realizado pelo Município de Rio Negro.

O documento registra que o dinheiro saiu da editora poucas horas depois da entrada dos recursos públicos.

Até o momento, a investigação não apresenta justificativa para essa transferência.

Material ainda sob sigilo
Segundo apuração exclusiva do O Contribuinte, as mensagens já divulgadas representam apenas parte do material reunido na Operação Gutenberg.

Investigadores analisam outras conversas, arquivos, documentos, áudios e cruzamentos de dados telemáticos que permanecem sob sigilo judicial.

Esses elementos, conforme apurado pela reportagem, teriam reforçado a linha investigativa que busca identificar todos os destinatários mencionados nas conversas interceptadas.

Investigação continua
O Ministério Público ainda realiza novas diligências.

Os investigadores seguem cruzando:

movimentações bancárias;

agendas;

registros telefônicos;

mensagens;

documentos fiscais;

contratos públicos;

dados telemáticos.

O objetivo é confirmar a identidade dos destinatários mencionados nas conversas e verificar se houve participação de agentes públicos no suposto esquema investigado.

Procurado anteriormente sobre o caso, o deputado Jamilson Name negou qualquer envolvimento com irregularidades. A investigação segue em andamento, e não há, até o momento, decisão judicial que atribua responsabilidade criminal ao parlamentar.

EXCLUSIVO: Gaeco trabalha com a hipótese de que “DEP” citado em conversa sobre divisão de R$ 156 mil seria o deputado Jamilson Name
EXCLUSIVO: Gaeco trabalha com a hipótese de que “DEP” citado em conversa sobre divisão de R$ 156 mil seria o deputado Jamilson Name