Ex-colaborador teria usado ferramenta em um documento e replicado em outros sem autorização

Escritório que defende ex-major Carvalho alega que ex-funcionário replicou IA em peças

O escritório que defende o ex-major da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), Sérgio Roberto de Carvalho, o major Carvalho, alega que um ex-funcionário do escritório usou indevidamente uma ferramenta de IA (inteligência artificial) em petição de processo. A Justiça multou o ex-militar em R$ 10 mil por conta disso.

Em nota à imprensa, a defesa do Pelzl & Brandolis Advogados Associados esclarece que esse ex-funcionário inseriu um prompt injection, um comando de IA que poderia influenciar análise de recurso em corte superior.

“Estima-se que algumas petições tenham sido protocoladas com o mesmo comando oculto, em varas e tribunais distintos. Justamente esse dado afasta a hipótese de intenção de fraude: o texto inserido é idêntico em todas as peças, o que é tecnicamente incompatível com uma estratégia de manipulação, a qual exigiria prompts customizados para cada tipo de demanda e cada sistema-alvo. A replicação uniforme é, ao contrário, a assinatura típica de um vício de template – falha de compliance documental, e não conduta orientada a resultado ilícito”, escreveram os advogados do escritório Pelzl & Brandolis.


 

O escritório garante que, assim que identificou a falha, informou o juiz de cada caso.

“Todas as provas e documentos, incluindo as informações relacionadas ao funcionário e o documento com a assunção de responsabilidade por ele assinada, estão à disposição das autoridades, oportunidade em que se reitera o compromisso ético e a integridade dos profissionais do escritório”, conclui a nota.

 
 

Leia a nota dos advogados na íntegra:
“O escritório Pelzl & Brandolis Advogados Associados, neste ato, representado por seus procuradores, vem a público esclarecer fatos noticiados a respeito da suposta utilização da técnica conhecida como prompt injection em petições protocoladas perante o Superior Tribunal de Justiça e outras cortes.
1. O que é prompt injection. Trata-se de técnica de ataque a sistemas de inteligência artificial baseados em grandes modelos de linguagem (LLMs), que consiste em inserir, em um documento aparentemente comum, instruções ocultas destinadas a manipular a resposta do modelo. Para que o ataque produza efeito, o comando precisa ser especificamente construído para a tarefa que se deseja desviar – um prompt redigido para influenciar análise de admissibilidade em recurso especial, por exemplo, não opera em peças de natureza diversa, em outras instâncias ou contextos processuais distintos. Prova disso é que muitas dessas peças foram inclusive improvidas, o que demonstra que não houve qualquer manipulação ou prejuízo ao julgamento dos magistrados.
2. O que efetivamente ocorreu. Em junho de 2025, um ex-funcionário do escritório, sem qualquer anuência dos sócios, inseriu um comando oculto destinado a uma corte superior (Superior Tribunal de Justiça), com comandos específicos para essa corte, no cabeçalho do papel timbrado institucional – área não selecionável do documento, invisível na conferência visual e textual padrão. O referido ex-funcionário não removeu o trecho do arquivo-modelo de uso comum no escritório, o que ocasionou sua replicação automática em peças posteriores, sem ciência de qualquer integrante do escritório.