Juiz remarcou sessão após testemunhas de acusação faltarem. Ré alega que não cometeu o crime em 2005, mas denúncia diz que ela matou o garoto por causa de brigas da vítima com os filhos dela.

Audiência de balconista acusada de espancar menino de 10 anos até a morte é adiada
Alessandra compareceu à audiência e disse que é inocente / Foto: Paula Resende/G1

A audiência de instrução do processo sobre a morte do menino Weuler Geovane Rodrigues de Sousa, de 10 anos, que estava prevista para esta segunda-feira (25), foi adiada para o dia 26 de outubro. A decisão foi tomada porque nenhuma testemunha de acusação compareceu à sessão, no Fórum Criminal Desembargador Fenelon Teodoro Reis, em Goiânia. O crime ocorreu em 2005.

Acusada de espancar e enforcar a vítima até a morte, a balconista Alessandra Vitorino da Silva Oliveira, de 38 anos, esteve no local acompanhada de seu advogado, mas negou ter cometido o homicídio. Ela responde ao processo em liberdade.

"Eu sou inocente, eu me sinto injustiçada. Eu não tinha raiva, não tinha motivo para isso. Minha vida paralisou e quero encerrar logo esta história", disse Alessandra ao G1.
 
O menino foi morto no dia 4 de setembro de 2005, no Recanto das Minas Gerais. Segundo a denúncia do MP, a mãe saiu durante a noite e deixou o menino dormindo sozinho em casa.

Ainda conforme a denúncia, Alessandra, que residia no barracão dos fundos da casa onde a vítima morava, tinha ódio do garoto por causa de algumas brigas dele com seus filhos. Ela teria ido até a residência de Weuler, o espancando e o asfixiado até a morte. Ainda de acordo com a denúncia, ela simulou um atentado violento ao pudor, quando colocou a vítima nua sobre a cama e a cobriu com um cobertor.

Alessandra responde por homicídio triplamente qualificado por futilidade, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
 

Processo
 
O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, que presidiria a sessão, explicou que o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) tem 10 dias para se manifestar sobre a ausência das oito testemunhas arroladas. As cinco pessoas intimadas pela defesa compareceram, mas só serão ouvidas na próxima audiência.

"Embora as testemunhas de defesa tenham comparecido, o advogado da ré optou por manter a ordem prevista e ouvir primeiro as testemunhas de acusação e depois as de defesa. A acusada também veio, mas será a última a ser ouvida", explicou o magistrado.

O promotor de Justiça Maurício de Camargos estranhou o fato de nem a mãe da vítima, uma das testemunhas, não ter comparecido. Ele analisará o motivo das ausências.
"Não sei se não compareceram porque não foram intimadas, se não foram encontradas em razão do tempo da data do fato e hoje, ou se não obedeceram à Justiça. Não é normal ninguém ter vindo. A divulgação pode ajudar que a família busque o MP", disse o promotor.

Advogado de Alessandra, Antônio Ferreira da Paixão afirmou que não há provas de que ela executou a criança e que a cliente é inocente. "A prova robusta que temos é o laudo técnico de DNA de um cabelo encontrado na criança. O material encontrado é do sexo masculino", ressalta.

Alessandra diz que fez o exame duas vezes. "Por que não fizeram o exame em mais alguém? Muitos homens frequentavam lá também. A casa ficava muito aberta. É uma barbárie, mas não fui eu quem cometi", concluiu.