As instalações de 120 EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida), conhecidas como ‘armadilhas’ contra o Aedes aegypti, começaram na manhã desta sexta-feira, dia 27, pela região que abrange os bairros Jóquei Clube, Santa Felicidade e Santa Fé, que concentram o maior número de casos notificados de Chikungunya na área urbana de Dourados.

"Armadilhas" contra o Aedes são instaladas e município prevê contratação de agentes de endemia
/ Foto: Armadilha contra o mosquito é instalada dentro de moradia no bairro Santa Felicidade, em Dourados - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News

As instalações de 120 EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida), conhecidas como ‘armadilhas’ contra o Aedes aegypti, começaram na manhã desta sexta-feira, dia 27, pela região que abrange os bairros Jóquei Clube, Santa Felicidade e Santa Fé, que concentram o maior número de casos notificados de Chikungunya na área urbana de Dourados.

Servidores do Ministério da Saúde acompanham os agentes de endemias do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) ao longo de todo o dia, para demonstração de como fazer a instalação nas casas. Isso porque após essa etapa, serão esses servidores do município que darão continuidade às ações.

Apesar do larvicida ficar presente no ambiente pelo período aproximado de 60 dias, a recomendação é de que as ‘armadilhas’ sejam trocadas a cada 30 dias pelos agentes de endemias.

A tecnologia desenvolvida pela Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), é composta por um balde que comporta dois litros de água e uma rede impregnada de larvicida presa a um flutuador. Quando a fêmea solta no ambiente pousa na estação, durante o bater das asas levanta a substância que parece uma poeira fina.

“Então essa ‘poeira’ cai sobre o corpo da fêmea, depois disso ela leva para outros locais, contaminando a água de outros locais”, explica o consultor técnico da CGARB (Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses) do Ministério da Saúde, Pedro Araújo.

Ele pontua que eventualmente é possível encontrar larvas nas estações, mas que essas não vão se transformar no mosquito adulto. “Nasce a larva, mas ela morre como larva. Isso faz parte do funcionamento da armadilha”, complementa.

As estações devem ser colocadas preferencialmente dentro das casas, onde não pega sol e nem chuva e, se possível, em locais livres de circulação de pessoas, longe de animais e crianças. Isso porque depois de instalada, deve ser manuseada somente pelos agentes de endemias.

“Ele [larvicida] só é tóxico realmente para o Aedes aegypt e não é tóxico para as pessoas e nem para os animais. Entretanto, existem cuidados”, complementa o consultor.

As estações são instaladas a uma distância entre 300 e 400 metros umas das outras, seguindo o potencial de voo do Aedes aegypti.

A primeira colocada no Santa Felicidade foi na casa da Emily Martins, de 30 anos, que mora com três filhos e o marido em um barraco de madeira de apenas dois cômodos. Em um desses foi aplicada a armadilha.

Enquanto o trabalho era feito, o servidor do Ministério encontrou um Aedes aegypt voando dentro da casa. “Muito preocupada, ainda mais com as crianças. A gente tem que ser prevenir. Ele até mostrou o tamanho do mosquito, muito grande. Mas, a gente está ‘firme’ que com a armadilha vai dar tudo certo”, afirma Emily.

PRÓXIMA REGIÃO

Esse primeiro lote com as estações chegou a Dourados no final da tarde desta quinta-feira, dia 27, com 300 estações, do total de mil que devem ser destinadas ao município.

Mais cargas estão previstas para chegar ao longo da próxima semana para a continuidade da instalação que será feita gradativamente nas demais regiões da cidade com maior índice de infestação do mosquito.

A próxima é a do bairro Parque do Lago 2, seguida do Novo Horizonte e do Piratininga.

A inciativa é um complemento que não extingue a necessidade de população manter os cuidados de eliminação de focos, já que 80% estão dentro dos domicílios.

LIXO E ÁGUA PARADA

Os bairros que concentram maior número de notificações são os que mais possuem áreas de descarte irregular de lixo, incluindo em terrenos a céu aberto ou nas residências.

Por isso, em paralelo à instalação das armadilhas, equipes da empresa contratada para fazer a limpeza pública do município estão fazendo um mutirão junto com a Semsur (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e militares do exército.

“Muitas vezes as pessoas não fazem a sua parte dentro das suas próprias casas, eles não recolhem os lixos dentro das suas próprias casas. Então, nós estamos indo também dentro das casas das pessoas”, afirmou o prefeito Marçal Filho (PSDB).

Em algumas localidades, em especial Santa Felicidade e Santa Fé, existe ‘lixão’ a céu aberto em terrenos, onde as famílias colocam os resíduos porque o serviço de coleta não chega, especialmente em vias mais estreias em períodos de chuva.

“Essas áreas são áreas invadidas, com o passar do tempo vieram os problemas sociais. Isso aqui é histórico, há muitas décadas acontece e nada foi feito. Agora que nós entramos na administração no ano passado, nós começamos a trabalhar nisso, principalmente nesse sentido para dar moradia digna para essas pessoas e toda a infraestrutura que elas precisam”, afirmou Marçal.

Ele pontua que já há um projeto aprovado de moradias populares destinado às famílias do Santa Fé, em parceria com o Governo do Estado e Federal. “Queremos estender também para o Santa Felicidade”, disse o prefeito.

FALTA DE AGENTES DE ENDEMIAS

O município ainda prepara a contratação emergencial de agentes de endemias, a partir das medidas de exceção permitidas após o decreto de emergência em saúde publicado no dia 20, devido ao avanço de casos de Chikungunya, segundo o secretário da Sems (Secretaria Municipal de Saúde) de Dourados, Márcio Grei de Figueiredo.

A quantidade de profissionais ainda é analisada pela Procuradoria Geral do Município e deve ser divulgada a partir da próxima semana.

No entanto, esses agentes não serão os aprovados em concurso válido até 2027. Isso porque, segundo o prefeito, para posse de novos servidores efetivos é necessário que a cidade saia do limite prudencial para folha de pagamento, estabelecido pela da Lei de Responsabilidade Fiscal. 

RESERVA INDÍGENA

Atualmente, todos os agentes de endemias do município estão concentrados em combater a proliferação do mosquito na área urbana, depois de mutirões realizados na Reserva Indígena junto com servidores do Estado e da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) do Governo Federal.

Para as aldeias Jaguapiru e Bororó, o Ministério da Saúde anunciou a contratação temporária emergencial de 20 agentes de endemias através da AgSUS (Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde).

Enquanto eles não chegam, o trabalho é feito por equipes da FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde) com os Agentes Comunitários de Saúde Indígena durante a busca ativa de pacientes com sintomas diretamente nas casas, especialmente nas áreas de difícil acesso.