O valor pago anualmente saltou de R$ 3,1 milhões, em 2022, para R$ 18,2 milhões em 2024.

Após ser alvo de operação na Capital, empresa ganhou aumento de 471% em Três Lagoas
Operação Máquinas de Areia: MPE suspeita de desvio de R$ 100 milhões na prefeitura. / Foto: João Pedro Oliveira/Perfil News

A construtora MS Brasil ganhou aumento de 471% no contrato com a Prefeitura Municipal de Três Lagoas, ainda na gestão de Ângelo Guerreiro (PSDB), após ser alvo da Operação Cascalho de Areia, deflagrada para apurar os crimes de desvio milionário, corrupção e peculato em Campo Grande. 

A construtora, oficialmente em nome de Edcarlos Jesus Silva, entrou na mira do GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção) no dia 15 de junho de 2023, quando foi deflagrada a Operação Cascalhos de Areia. Os contratos investigados atingiam R$ 300 milhões.

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Apesar de estar no olho do furacão em Campo Grande, a construtora foi contemplada com aumento de 471% nos contratos com a Prefeitura de Três Lagoas. De acordo com o Portal da Transparência, o valor pago saltou de R$ 3,184 milhões, em 2022, para R$ 18,2 milhões em 2024.

 
A gestão de Guerreiro conseguiu ampliar o repasse em 72% ainda em 2023, quando a Prefeitura de Três Lagoas pagou R$ 5,498 milhões. A MS Brasil firmou o primeiro contrato em 2018, já na gestão do tucano, quando recebeu R$ 1,7 milhão. O valor ficou na casa de R$ 2 milhões até 2021, quando foram pagos R$ 2,6 milhões.

Empossado em janeiro de 2025, o atual prefeito, Cassiano Maia (PSDB), manteve a contratação da MS Brasil e pagou R$ 18,4 milhões no ano passado. Neste ano, de acordo com o Portal da Transparência, a prefeitura empenhou R$ 18,887 milhões de janeiro até este mês e já pagou R$ 14,2 milhões.

Confira os valores pagos a MS Brasil:
2018 – R$ 1.719.000,00
2019 – R$ 2.231.500,00
2020 – R$ 2.302.400,00
2021 – R$ 2.643.681,00
2022 – R$ 3.184.852,20
2023 – R$ 5.498.413,44
2024 – R$ 18.204.522,37
2025 – R$ 18.496.671,49
2026 – R$ 14.237.013,21
Fonte: Portal da Transparência de Três Lagoas
Secretário e mudança de nome
Ontem (6), a MS Brasil voltou a ser alvo do GECOC e do Gaeco por suposto desvio de R$ 100 milhões nos contratos firmados com o município de Três Lagoas. Edcarlos Jesus é acusado de ser laranja do poderosíssimo André Luiz dos Santos, o André Patrola. O outro alvo foi o secretário municipal de Infraestrutura, Osmar Dias Pereira, que está no cargo desde a gestão anterior.

A empresa mudou de nome após a Operação Cascalho de Areia, mas manteve o CNPJ. No Portal da Transparência de Três Lagoas, ela aparece como MS Brasil Comércio e Serviços Eireli, nome que adotado até 2024. Em 2025, a construtora passou a ser denominada MS Brasil Locação e Serviço Ltda.

A primeira investigação contra a MS Brasil só foi deflagrada após o MPE recorrer e obter aval da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal, negou os mandados contra o grupo de André Patrola.

As duas operações, Cascalho de Areia e Máquinas de Areia, cumpriram 19 mandados de busca e apreensão.

O Jacaré procurou o prefeito de Três Lagoas, mas Dr. Cassiano não se manifestou sobre o escândalo até o momento.