O temporal com rajadas de vento até 100 km/h deixou 83 mil imóveis sem energia elétrica em Campo Grande.

Prejuízo de R$ 25 mi, 83 mil imóveis sem luz e blecaute de 96h expõem falhas da Energisa
Com déficit de 800 funcionários e equipe menos experiente, Energisa leva mais de quatro dias para normalizar atendimento. / Foto: Divulgação

Para 250 imóveis na Capital, o blecaute já durava 96 horas no início da noite de segunda-feira (14). O comércio teve prejuízo de R$ 25 milhões, segundo estimativa da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas).

De acordo com a prefeitura, foram registradas 423 quedas de árvores ou galhos durante os 30 minutos de chuva na última quinta-feira (10). Marcado pela estiagem, setembro já teve 104 milímetros de chuva em 14 dias, 40% acima da média histórica para o mês.

A Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) contabilizou pane em 213 semáforos. Na Avenida Gury Marques, na saída para São Paulo, a buraqueira transformou a via em armadilha para os motoristas, que sofrem com os transtornos causados pela buraqueira nos veículos.

No entanto, o maior problema está na falta de energia elétrica, que ainda afetava 250 unidades no perímetro urbano no início da noite de ontem, segundo Francisco Ferreira da Silva, presidente do Sindnergia/MS (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia de Mato Grosso do Sul). O temporal deixou 83 mil imóveis sem luz elétrica na quinta-feira (10).

Silva atribui a demora na normalização a dois fatores. O primeiro é ao déficit de 800 eletricistas. O ideal era a concessionária contar com 1,6 mil profissionais, mas dispõe de apenas 800 para atender os 74 municípios de Mato Grosso do Sul.

O segundo problema, de acordo com o sindicalista, é que a Energisa MS troca os profissionais mais experientes por novatos. A empresa demite os mais experientes para pagar salários menores aos novos contratados. Com menos experiências, eles acabam levando mais tempo para realizar os consertos.

De acordo com o sindicalista, os operários estão trabalhando até 20 horas por dia para restabelecer a energia para 100% dos consumidores. Devido ao déficit, a Energisa trouxe operários de outros estados, como Mato Grosso e Sergipe para reforçar as equipes de MS.

O Jacaré procurou a Energisa MS para saber sobre o tempo para a normalização dos serviços, mas a concessionária não respondeu.

Comércio culpa gestão Adriane
A CDL informou que 380 empresários foram ao desespero com o colapso nas operaçõesa devido aos estragos causados pelo temporal. A entidade estimou que os prejuízos superam R$ 25 milhões.

“Recebemos mais de 380 chamados de empresários desesperados com a iminência do colapso de suas operações”, informou a entidade. Os casos foram encaminhados para a concessionária de energia.

“É inaceitável, no entanto, que o poder público continue tratando essa tragédia apenas como um evento da natureza. A chuva e as rajadas de vento cobraram um preço desproporcional porque encontraram uma cidade vulnerável, marcada pela negligência crônica na zeladoria básica e pela burocracia paralisante na gestão da arborização urbana”, criticou a CDL, em nota.

“Grande parte do estrago não caiu do céu. Caiu de troncos podres, árvores ocas e galhos condenados que já deveriam ter sido removidos ou podados há meses. O empresário campo-grandense vive um dilema absurdo: protocola pedidos formais, aponta o risco iminente de quedas sobre a fiação e calçadas, mas esbarra em vistorias lentas, laudos intermináveis e entraves cartorários”, lamentou a entidade.

“Se age por conta própria para proteger vidas e o patrimônio, recebe sanções imediatas; se aguarda a ação do município, vê a árvore desabar sobre sua fachada e arrebentar a rede elétrica”, ressaltou.

“Essa paralisia administrativa custou caro. A queda de árvores em estado de decomposição sobre postes e transformadores provocou um apagão prolongado em dezenas de bairros e corredores comerciais, paralisando o setor produtivo em pleno fim de semana”, afirmou, em crítica direta à gestão de Adriane Lopes (PP).

“Foram portas fechadas nos dias de maior movimento, perda maciça de mercadorias perecíveis em câmaras frias de supermercados, restaurantes, padarias e açougues, além de equipamentos queimados e custos emergenciais que muitos pequenos negócios simplesmente não têm fôlego para absorver”, lamentou a CDL.