Apontado pelo Ministério Público como líder de uma organização criminosa, Clodiego Machado de Souza foi atingido ao sair no portão de casa.
Apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) como um dos líderes de uma organização criminosa em Sidrolândia, Clodiego Machado de Souza, de 31 anos, conhecido como "Cabeça Gorda", foi baleado na tarde de quarta-feira (12) ao atender ao chamado de duas pessoas no portão da casa da namorada, no Bairro Pindorama. Horas depois, a Polícia Militar prendeu Samara, conhecida como "Samarão", e Westlley, que, segundo o boletim de ocorrência, confessaram participação no atentado.
De acordo com a investigação, um homem e uma mulher chegaram em uma motocicleta, bateram palmas e chamaram Clodiego pelo nome. Quando ele saiu para atender, o atirador abriu fogo. Durante os disparos, a arma apresentou falha e, conforme o registro policial, Samara entregou outra arma ao comparsa para que ele continuasse a execução.
Mesmo ferido, Clodiego conseguiu fugir. Ele pegou uma motocicleta e dirigiu sozinho até o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. Os médicos constataram um disparo que atravessou o abdômen e outro que atingiu o antebraço esquerdo, onde o projétil permaneceu alojado. O estado de saúde atualizado não havia sido divulgado até a publicação desta reportagem.
Ainda no hospital, Clodiego reconheceu Samara como uma das participantes do ataque. A partir dessa informação, equipes da Polícia Militar iniciaram buscas e localizaram a mulher entrando em um Volkswagen Gol branco na Vila Tereré.
No veículo também estava Westlley. Segundo o boletim, ao desembarcar, ele tentou se desfazer de um revólver calibre .38 com numeração suprimida. Durante a abordagem, os policiais apreenderam ainda munições de calibres .38 e .380, dois carregadores de pistola e, posteriormente, localizaram a motocicleta utilizada no atentado, além do capacete, do casaco e das armas indicadas por Samara.
Conforme o registro policial, Westlley confessou ter efetuado os disparos. Samara admitiu que conduzia a motocicleta e deu fuga ao atirador. Ambos foram presos em flagrante.
Acusação de comandar "tribunal do crime"
O nome de Clodiego voltou ao noticiário porque ele é um dos principais denunciados em um processo que investiga um chamado "tribunal do crime" realizado em Sidrolândia em julho de 2024.
Segundo denúncia do Ministério Público, Clodiego estava preso desde outubro de 2023, mas continuava comandando atividades da organização criminosa de dentro do sistema prisional.
No dia 8 de julho de 2024, um homem identificado como Marconis do Carmo de Oliveira, conhecido como "Maranhão", foi levado até a casa da companheira de Clodiego, onde ocorreu uma videochamada com o acusado.
De acordo com o MP, Clodiego analisou informações do depoimento prestado por Marconis à polícia e concluiu que ele havia delatado integrantes da facção. Ainda durante a chamada de vídeo, teria decretado sua morte.
A denúncia afirma que, logo depois, integrantes da organização passaram a espancar Marconis. O grupo amarrou suas mãos e pés, colocou uma mordaça e o colocou no porta-malas de um Chevrolet Corsa para levá-lo até uma área rural, onde seria executado.
Durante o trajeto, porém, Marconis recuperou a consciência, conseguiu se livrar das amarras e fugiu quando o porta-malas foi aberto. Ele correu por uma área de mata e conseguiu pedir ajuda em uma propriedade próxima, sobrevivendo ao atentado.
Processo segue sem julgamento
O Ministério Público denunciou oito pessoas pelos crimes de organização criminosa e tentativa de homicídio qualificado.
Entre os acusados está João Vitor Vitoy, conhecido como "Goiano", apontado como um dos homens que participaram das agressões. Ele permaneceu foragido por mais de um ano, até ser preso em Campo Grande, em setembro de 2025.
Em abril deste ano, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul negou, por unanimidade, um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de João Vitor, mantendo a prisão preventiva. O processo continua em tramitação na Vara Criminal de Sidrolândia e ainda não foi julgado.
Investigação aponta disputa entre facções
A Polícia Civil investiga a motivação do atentado contra Clodiego. A principal linha apurada até o momento é de que o crime esteja relacionado à disputa entre organizações criminosas que atuam em Sidrolândia.
Apesar do histórico envolvendo o "tribunal do crime", até o momento as autoridades não afirmaram que o atentado desta quarta-feira tenha relação direta com a tentativa de execução de Marconis em 2024.













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