Estado que produz grãos e celulose precisa cobrar dos candidatos plano para tirar cargas das rodovias.

A eleição passa. O custo de deixar Mato Grosso do Sul sem trilhos fica
Estado que produz grãos e celulose precisa cobrar dos candidatos plano para tirar cargas das rodovias. / Foto: Divulgação.

Às vésperas da eleição, os candidatos falam em crescimento, empregos e novos investimentos. Falta responder a uma pergunta simples: por onde Mato Grosso do Sul vai transportar tudo o que produz?

Às vésperas das eleições, candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul evitam responder como o Estado pretende escoar sua produção agrícola e industrial. A dependência do transporte rodoviário encarece fretes e aumenta acidentes. A Malha Oeste ferroviária, que liga Corumbá a Mairinque, segue deteriorada por falta de investimentos e aguarda nova concessão no TCU. Eleitores precisam cobrar propostas concretas dos candidatos sobre infraestrutura de transporte.
Grãos e celulose percorrem longas distâncias até chegar ao destino. Quando a rodovia é praticamente a única opção, o frete pesa no preço da produção, o trânsito de caminhões aumenta e motoristas dividem estradas com um volume de cargas cada vez maior. Acidentes e mortes fazem parte dessa conta, embora raramente apareçam nos discursos sobre desenvolvimento.

O Estado já tem trilhos, mas parte de sua estrutura foi deixada perder capacidade. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), anos de investimentos insuficientes depreciaram a Malha Oeste, limitaram o volume transportado e reduziram a velocidade dos trens. A ferrovia liga Corumbá, em Mato Grosso do Sul, a Mairinque, em São Paulo. Sua recuperação segue em processo de nova concessão, ainda sob análise do Tribunal de Contas da União.

Há também uma obra iniciada em Inocência: um ramal de 47 quilômetros para ligar a futura fábrica de celulose da Arauco à malha ferroviária. É um avanço, mas um projeto voltado a uma indústria não resolve, sozinho, a necessidade de transporte de todo o Estado.

Por isso, a campanha precisa sair da promessa genérica de “investir em infraestrutura”. Quem pede o voto para governar Mato Grosso do Sul deve dizer quais trechos ferroviários considera prioritários, como pretende articular sua recuperação com a União, onde cabem terminais para receber grãos e outras cargas e que prazo defenderá para cada etapa. Quem disputa uma vaga no Congresso precisa explicar como vai acompanhar a concessão, cobrar o cumprimento do contrato e defender recursos quando forem necessários.

Não basta posar diante de um mapa de ferrovias. A Malha Oeste já passou por anúncios, estudos e calendários que não colocaram a carga de volta nos trilhos. O eleitor tem o direito de saber o que cada candidato fará para que o próximo governo não termine com mais uma promessa parada no mesmo lugar.

Mato Grosso do Sul produz em grande escala. Precisa transportar com eficiência e segurança. Em 4 de outubro, a ferrovia também deve entrar na escolha do eleitor.