A investigação sobre o desvio de pneus doados para a prefeitura de Jardim, a 217 km de Campo Grande, apontou que os comerciantes lucraram ao menos R$ 100 mil com a negociação ilícita. Ao G1 a delegada Ana Cláudia Medina, titular da Delegacia Especializada em Repressão ao Crime Organizado (Deco), disse que três comerciantes foram indiciados pelo crime. Todos eles, de acordo com a policia, deram a mesma versão e apontaram servidores da prefeitura como integrantes do esquema.
O G1 tentou contato com a prefeitura, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
"Os três em depoimento disseram que o secretário de obras e o chefe de frota da prefeitura os abordaram, dizendo que tinham pneus contrabandeados 295 e queriam fazer a troca por pneus com medida 1 mil. Todos relataram que para eles seria lucrativo a negociação, já que compravam por R$ 680 e os revendiam por R$ 1 mil. A cada dois pneus, eles entregavam um", afirmou a delegada.
Ainda conforme Medina, a polícia encaminhou um ofício para o prefeito de Jardim, Werney Cunha, mas ele não negou o crime e ainda "reforçou" a existência do esquema.
"O prefeito nos respondeu, em um ofício de quatro folhas, que os servidores realmente procuraram os comerciantes para fazer a negociação. Em nenhum momento, ele negou participação no esquema e ainda demonstrou saber o que estava acontecendo", comentou.
Em Bonito, o comerciante vendeu 56 pneus. Já em Jardim, foi confirmada a venda de mais 43 produtos. A investigação, no entanto, relata que 200 pneus estavam sendo vendidos. Os envolvidos foram indiciados por peculato, contrabando, associação criminosa e falsidade ideológica. O último crime, no entanto, não fez parte do indiciamento do comerciante de Bonito.
Entenda o caso
Nesta terça-feira (2), foi deflagrada a segunda fase da Operação Vulcan, da Deco. A investigação apontou que centenas de pneus de caminhão, apreendidos pela Receita Federal, foram doados à prefeitura e estavam sendo vendidos em lojas de Jardim e Bonito. A investigação teve início há três meses, após autorização do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS).
Houve uma denúncia de desvio e no dia sete de junho deste ano a polícia instaurou o inquérito. A operação foi desencadeada no dia 22 do mesmo mês, culminando na apreensão de 131 pneus procedentes de referida doação a prefeitura. O material estava em borracharias da cidade, sendo vendidos com "vísivel vantagem financeira", conforme a polícia.
Os empresários prestaram depoimento afirmando que tinham ciência da permuta com a prefeitura e foram indiciados pelos crimes. Os envolvidos ainda relataram que os pneus tinham que se adequar aos veículos da prefeitura. Já no dia 27 do mesmo mês o prefeito recebeu ofício para apresentar uma declaração. Toda a negociação foi feita sem nenhuma formalização, conforme a polícia.













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