Primeira tentativa de interceptação teria ocorrido em 21 de dezembro, quando o navio Bella 1 tentava navegar rumo à Venezuela para buscar petróleo.
Tripulantes de um petroleiro perseguido pelas forças dos Estados Unidos pintaram uma bandeira da Rússia na lateral da embarcação, informaram dois oficiais americanos ao jornal The New York Times nesta terça-feira, 30. A primeira tentativa de interceptação da Guarda Costeira dos EUA teria ocorrido em 21 de dezembro, quando o navio Bella 1 tentava navegar rumo à Venezuela para buscar petróleo.
Na fuga, pessoas a bordo da embarcação pintaram uma bandeira russa para reivindicar o status de proteção de Moscou, em meio ao cerco de Washington a todos os petroleiros que entrem ou saiam do território venezuelano. O navio-tanque é sancionado pelos EUA desde o ano passado por transportar petróleo iraniano que é revendido, segundo autoridades americanas, para financiar terrorismo.
O transponder do Bella 1 está desligado desde 17 de dezembro, o que significa que sua posição exata é desconhecida. A sua rota também teria mudado para noroeste, em direção à Groenlândia ou Islândia, afirmaram os oficiais ao NYT. O barco é supostamente composto por cidadãos russos, indianos e ucranianos e integra a frota fantasma de petroleiros que transportam petróleo da Rússia, Irã e Venezuela, em violação das sanções aplicadas por uma série de países.
Não há uma explicação clara para o motivo da tentativa de escapar das forças americanas, já que outros dois petroleiros interceptados perto da Venezuela concordaram em ser abordados neste mês. Trata-se, portanto, de um movimento incomum. A perseguição ao Bella 1, segundo o The New York Times, exigiria uma equipe especializada em lidar com tripulações com possível comportamento hostil.
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Bloqueio total
No dia 16, Donald Trump anunciou que a Venezuela estava “completamente cercada pela maior Armada já reunida na história da América do Sul”. Ele também advertiu que o cerco “só vai aumentar, e o choque para eles será como algo jamais visto — até que devolvam aos Estados Unidos da América todo o petróleo, as terras e outros ativos que anteriormente nos roubaram”.
“O regime ilegítimo de Maduro está usando petróleo desses campos roubados para se financiar, além de financiar o narcoterrorismo, o tráfico humano, assassinatos e sequestros”, escreveu ele na Truth Social, rede social da qual é dono. “Pelo roubo de nossos ativos e por muitas outras razões, incluindo terrorismo, tráfico de drogas e tráfico humano, o regime venezuelano foi designado uma ORGANIZAÇÃO TERRORISTA ESTRANGEIRA.”
“Portanto, hoje estou ordenando UM BLOQUEIO TOTAL E COMPLETO DE TODOS OS NAVIOS-TANQUE DE PETRÓLEO SOB SANÇÕES que entrem ou saiam da Venezuela”, continuou. “Os imigrantes ilegais e criminosos que o regime de Maduro enviou aos Estados Unidos durante a fraca e inepta administração Biden estão sendo devolvidos à Venezuela em ritmo acelerado.”
O mandatário da Casa Branca também alertou que “os Estados Unidos não permitirão que criminosos, terroristas ou outros países roubem, ameacem ou prejudiquem” os americanos e bradou, com as costumeiras letras garrafais, que “não permitirá que um regime hostil se aproprie de nosso petróleo, nossas terras ou quaisquer outros ativos, todos os quais devem ser devolvidos aos Estados Unidos, IMEDIATAMENTE”.
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Tensão no Caribe
No final de outubro, Trump revelou que havia autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que Washington quer derrubar o ditador Nicolás Maduro. Fontes próximas à Casa Branca afirmam que o Pentágono apresentou a Trump diferentes opções, incluindo ataques a instalações militares venezuelanas — como pistas de pouso — sob a justificativa de vínculos entre setores das Forças Armadas e o narcotráfico.
Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles — designado como organização terrorista estrangeira em novembro — e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura do chefe do regime chavista. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também foi acusado por Trump de ser “líder do tráfico de drogas” e “bandido”. Em paralelo, intensificam-se os ataques a barcos de Organizações Terroristas Designadas, como define o governo americano, no Caribe e no Pacífico. Ao menos 83 tripulantes foram mortos.
Há poucas semanas, militares americanos de alto escalão apresentaram opções de operações contra Caracas a Trump. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e outros oficiais entregaram planos atualizados, que incluíam ataques por terra. Segundo a emissora CBS News, a comunidade de Inteligência dos EUA contribuiu com o fornecimento de informações para as possíveis ofensivas na Venezuela, que variam em intensidade.
O planejamento militar ocorre em meio à crescente mobilização militar americana na América Latina e ao aumento das expectativas de uma possível ampliação das operações na região, em atos considerados como “execuções extrajudiciais” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Além do porta-aviões, destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados foram despachados para o Caribe, enquanto Trump intensifica o jogo de quem pisca primeiro com o governo venezuelano.
Os incidentes geraram alarme entre alguns juristas e legisladores democratas, que denunciaram os casos como violações do direito internacional. Em contrapartida, Trump argumentou que os EUA já estão envolvidos em uma guerra com grupos narcoterroristas da Venezuela, o que torna os ataques legítimos. Autoridades afirmaram ainda que disparos letais são necessários porque ações tradicionais para prender os tripulantes e apreender as cargas ilícitas falharam em conter o fluxo de narcóticos em direção ao país.
Dados das Nações Unidas enfraquecem o discurso de caça às drogas. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indica que o fentanil — principal responsável pelas overdoses nos EUA — tem origem no México, e não na Venezuela, que praticamente não participa da produção ou do contrabando do opioide para o país. O documento também aponta que as drogas mais usadas pelos americanos não têm origem na Venezuela — a cocaína, por exemplo, é consumida por cerca de 2% da população e vem majoritariamente de Colômbia, Bolívia e Peru.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na última sexta-feira, 14, revelou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos para matar suspeitos de narcotráfico, sem o devido processo judicial, uma crítica às ações de Trump. Em um sinal de divisão entre os apoiadores do presidente, 27% dos republicanos entrevistados se opuseram à prática, enquanto 58% a apoiaram e o restante não tinha opinião formada. No Partido Democrata, cerca de 75% dos eleitores são contra as operações, e 10% a favor.











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