O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) julgará, na quarta-feira (12), um requerimento de declaração de elegibilidade do candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União).

TRE julga elegibilidade de candidato que pode ser decisivo para eleição de federais em MS

Carlos Bernardo é um dos favoritos para disputa de vagas para deputado federal na Federação União-PP. A expectativa é de que ele brigue pelas primeiras posições na chapa com Rose Modesto (União) e os deputados Geraldo Resende (União), Dagoberto Nogueira (PP), e Luiz Ovando (PP).

A justiça eleitoral terá que dizer se a doação realizada nas Eleições de 2020 pelo candidato, além de irregular, apresentou gravidade concreta suficiente para comprometer a isonomia, a normalidade ou a legitimidade do pleito.

Carlos Bernardo fez uma doação irregular para o candidato a prefeito de Itumbiara (GO), Rogério Rezende Silva, nas eleições de 2020. Ele doou R$ 90 mil, quando poderia apenas R$ 20,7 mil. 

Na última eleição que participou, pela Prefeitura de Ponta Porã, teve o registro indeferido na primeira instância, mas conseguiu reverter no TRE. O caso foi parar no Tribunal Superior Eleitoral, mas sem resultado final. O ministro André Mendonça considerou que a ação perdeu o objeto porque Carlos Bernardo não foi eleito prefeito.

O que pede a defesa?

A defesa de Carlos Bernardo justifica que não pretende rediscutir a condenação, pois reconhece que doação excedeu o limite legal, fato que rendeu multa, ja paga.

No pedido, questiona se a parcela irregular da doação apresentou gravidade concreta suficiente para comprometer a igualdade entre as candidaturas, a normalidade ou a legitimidade da eleição de Itumbiara/GO.

“Essa distinção é essencial porque a inelegibilidade da alínea não constitui consequência automática da multa por excesso de doação. A própria jurisprudência sistematizada pelo TSE identifica três requisitos: decisão judicial reconhecendo a ilegalidade, observância do rito pertinente e gravidade suficiente para afetar o equilíbrio e a lisura do pleito”, pontuou.

A defesa ressalta que a jurisprudência do Tribunal Superior também registra que não é qualquer doação considerada ilegal que gera inelegibilidade: “a restrição está vinculada aos valores constitucionais da normalidade e da legitimidade das eleições”, pondera.

Os advogados solicitam que seja julgada improcedente a impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral; seja julgado procedente o Requerimento de Declaração de Elegibilidade, para declarar, no estado fático e jurídico examinado, a não incidência da causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, “p”, da LC nº 64/1990, relativamente à doação objeto da Representação nº 0600090-23.2021.6.12.0052 e às Eleições Gerais de 2026.