Com perfil de gestor e aposta em investimentos e industrialização, Riedel amplia vantagem, enquanto Fábio Trad enfrenta dificuldades diante do desgaste do PT em nível nacional.

Riedel chega a 49% e aparece perto de vencer eleição no 1º turno em MS
Riedel (e) lidera com folga em MS. / Foto: Reprodução

O governador Eduardo Riedel (PP) aparece com 49% das intenções de voto na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta-feira (3).

O percentual, segundo reportagem da Revista Veja, oloca o candidato próximo de atingir a maioria necessária para uma vitória no primeiro turno, considerando a margem de erro do levantamento.

Na sequência, aparece Fábio Trad (PT), com 26%. João Henrique Catan (Novo) registra 12,4%, enquanto o economista Renato Gomes (DC) tem 0,5%. Delcídio Amaral (PRD) e Lucien Rezende (PSOL) aparecem com 0,3% cada. Daniel Lemes (PCO) não pontuou.

Entre os entrevistados, 5,1% declararam voto em branco ou nulo e 6,4% disseram não saber em quem votar.

Cenário de segundo turno

A pesquisa também simulou uma eventual disputa entre Riedel e Fábio Trad. Nesse cenário, o atual governador aparece com 57,4% das intenções de voto, contra 30,7% do petista. Votos brancos ou nulos somam 8,6%, enquanto 3,3% dos entrevistados não souberam responder.

Pesquisa

O levantamento ouviu 1.204 eleitores de Mato Grosso do Sul por meio de questionário online, entre 27 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Os números representam o cenário encontrado no período em que as entrevistas foram realizadas e podem sofrer alterações até a eleição.

Riedel aposta em gestão de excelência e Trad enfrenta desgaste do PT

Na avaliação do cenário eleitoral, Fábio Trad parte de uma posição mais difícil por carregar o peso político do PT em uma eleição estadual. O partido enfrenta, no plano nacional, o desgaste provocado por sucessivas crises e investigações, entre elas o caso do roubo de R$ 6,3 bilhões que atingiu aposentados e pensionistas do INSS. O episódio envolveu milhões de contestações e levou o governo federal a criar um programa de ressarcimento aos beneficiários, mas só cumpriu parte.

Mais recentemente, o caso do Banco Master também passou a gerar forte repercussão política em Brasília. As investigações sobre o banco e as conexões de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, provocaram uma crise institucional que alcançou o Supremo Tribunal Federal e passou a ser explorada no debate político nacional.

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é acusado de ter se encontrado várias vezes com o empresário Daniel Vorcaro fora da agenda oficial. 

No sentido oposto, Riedel tenta transformar a eleição em uma comparação entre a política nacional e os resultados obtidos em Mato Grosso do Sul. O governador tem como principal ativo a agenda econômica de sua administração, com atração de investimentos, expansão industrial e fortalecimento da cadeia produtiva. Entre os exemplos está a estratégia de ampliar a industrialização ligada ao setor de celulose, com a atração de novos fornecedores e investimentos para o Estado.

A política de incentivos e estímulo à atividade econômica também vem sendo utilizada pelo governo estadual como instrumento para manter a competitividade e ampliar investimentos em diferentes setores. Em 2026, o Estado renovou e ampliou benefícios fiscais para 12 segmentos da economia.

É nesse contraste que Riedel busca sustentar sua vantagem eleitoral: de um lado, a associação de seu governo a investimentos, industrialização, geração de empregos e obras; de outro, a tentativa da oposição de nacionalizar a disputa e apresentar uma alternativa ao atual governo.