Na política brasileira, há uma mania curiosa: quando aparece alguém com potencial para disputar o jogo principal, logo surge um convite para ocupar o banco de reservas.
É mais ou menos esse o cenário que começa a se desenhar em torno da senadora Tereza Cristina. De um lado, o PL demonstra interesse em tê-la como vice de Flávio Bolsonaro. Do outro, o PP avalia a possibilidade de lançar uma candidatura própria à Presidência, colocando o nome da senadora no centro da discussão. E Tereza, segundo as informações que circulam nos bastidores, estaria mais inclinada a disputar o cargo máximo do que a aceitar a condição de vice.
E aí surge a pergunta que não quer calar: por que vice?
Quem acompanha minimamente a política brasileira sabe que Tereza Cristina não chegou até aqui por acaso. Tem experiência administrativa, trânsito político e conhecimento de setores estratégicos da economia brasileira. Foi ministra da Agricultura e hoje ocupa uma cadeira no Senado. Seu nome também possui forte conexão com o agronegócio, segmento de enorme peso econômico e político no país.
Então, por que colocar uma mulher com esse currículo como coadjuvante quando ela pode, legitimamente, tentar ser protagonista?
Será que é apenas estratégia eleitoral? Uma tentativa de fortalecer determinada chapa? Uma forma de conquistar apoio regional e político? Ou existe, nos bastidores, aquela velha e silenciosa lógica de que mulher competente é ótima para compor chapa, mas ainda não estaria pronta para encabeçá-la?
Será que é por ser mulher?
A pergunta pode incomodar. E talvez justamente por isso precise ser feita.
Não se trata de dizer que Tereza Cristina necessariamente venceria uma eleição presidencial. Eleição se ganha nas urnas, e qualquer candidatura precisa enfrentar alianças, rejeições, pesquisas e, principalmente, o julgamento do eleitor. Mas impedir que um nome competitivo sequer seja testado é outra história.
Se a política brasileira vive reclamando da falta de renovação, de alternativas e de candidatos preparados, então talvez seja hora de olhar com mais atenção para os nomes que já estão à mesa.
Tereza Cristina pode ser vice? Claro que pode. A vice-presidência é um cargo importante e estratégico. Mas a questão é outra: ela quer ser vice ou estão tentando convencê-la de que esse é o lugar que lhe cabe?
Porque, se a própria política reconhece que seu nome é forte o suficiente para ser disputado por diferentes grupos, talvez seja justamente esse o momento de perguntar se não estamos diante de uma candidatura presidencial que merece ser levada a sério.
E há uma ironia nisso tudo: enquanto os caciques partidários fazem contas, montam chapas e procuram o melhor encaixe eleitoral, talvez estejam deixando de enxergar o óbvio.
Às vezes, o melhor vice é justamente aquele que deveria estar concorrendo a presidente.
No caso de Tereza Cristina, a pergunta permanece no ar: por que gastar um baita cartucho como vice, se existe a possibilidade de colocá-lo no centro da disputa?
Talvez a resposta esteja nas estratégias políticas. Talvez nas alianças. Talvez no cálculo eleitoral.
Ou talvez seja simplesmente mais uma daquelas velhas histórias da política brasileira em que uma mulher precisa provar duas vezes que está pronta para ocupar o lugar que, para um homem, ninguém sequer questionaria.
A eleição vai responder. Mas, antes dela, os partidos precisam responder a uma pergunta ainda mais simples:
Tereza Cristina é boa o suficiente para ser vice ou é justamente boa demais para ficar atrás de alguém?













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