Publicações exibiam nomes, fotos e cidades de pessoas ameaçadas por facção.

 Suspeito de divulgar ‘lista da morte’ nas redes é preso durante operação do MPMS
Duas vítimas foram assassinadas depois, uma delas junto com a filha de 3 anos. / Foto: MPMS

Um homem suspeito de divulgar nas redes sociais listas de pessoas marcadas para morrer por uma facção criminosa foi preso nesta quinta-feira (3), durante a Operação Death List, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu em Juscimeira (MT), com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso.

As publicações investigadas exibiam nome, fotografia, apelido e cidade onde moravam as pessoas apontadas como alvos. Segundo o MPMS, a maioria delas vivia em municípios do interior de Mato Grosso do Sul.

O caso ganhou um desdobramento ainda mais grave: duas pessoas que apareceram nas listas foram assassinadas posteriormente. Uma delas foi morta junto com a filha, de apenas três anos.

Perfil era usado para ameaças

A investigação começou a partir do monitoramento de conteúdos publicados na internet. Técnicos da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) conseguiram identificar o responsável pelo perfil mesmo depois de tentativas de apagar os rastros digitais.

Durante a operação, foram apreendidos celulares e outros aparelhos eletrônicos, que serão periciados para buscar novas informações sobre as publicações e possíveis envolvidos.

O MPMS investiga se o suspeito utilizava as redes sociais para ameaçar pessoas e demonstrar o poder da facção, especialmente em cidades do interior do estado.

Para os investigadores, a divulgação das listas não se limitava a uma ameaça virtual. A exposição de nomes e imagens colocava as pessoas citadas em situação de risco e poderia funcionar como uma espécie de “sentença de morte” divulgada publicamente pela organização criminosa.

Suspeito pode responder por crimes graves

A investigação apura possíveis crimes previstos no Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, além de ameaça em contexto faccional e eventual participação em organização criminosa.

O crime de favorecimento ao domínio social estruturado prevê pena de 12 a 20 anos de prisão e é considerado hediondo.

O material apreendido agora será analisado pela perícia. A investigação deve buscar esclarecer quem produzia as listas, qual era a finalidade das publicações e se havia ligação entre as ameaças virtuais e os assassinatos das pessoas citadas.

MP alerta para compartilhamento

O Ministério Público orienta que conteúdos desse tipo não sejam compartilhados, mesmo quando a intenção seja alertar outras pessoas. A recomendação é guardar as informações e comunicar o caso às autoridades.

As acusações ainda são objeto de investigação, e a responsabilidade criminal do suspeito deverá ser definida pela Justiça.