Novas tarifas de 25% passam a valer em 22 de julho e afetam vendas de US$ 7,4 bilhões; ApexBrasil anunciou plano de R$ 130 milhões.

São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA sobre o Brasil
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São Paulo e Santa Catarina vão concentrar 52% do impacto do tarifaço mais recente anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil. A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros afeta vendas de US$ 7,4 bilhões e entra em vigor no dia 22 de julho, conforme confirmação feita ontem pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

O peso maior recai sobre São Paulo. O estado responde por US$ 3 bilhões das exportações atingidas, o equivalente a 41,6% de todo o valor afetado pelas tarifas. Das exportações paulistas destinadas ao mercado americano, 20% entram na mira da nova taxação. Em Santa Catarina, a fatia é ainda mais expressiva: 68% das vendas do estado aos EUA sofrem o efeito das tarifas.

No conjunto, o tarifaço alcança 19,2% de tudo o que o Brasil exporta aos Estados Unidos.

ApexBrasil anuncia plano de R$ 130 milhões
Como resposta ao novo cenário, a ApexBrasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, anunciou um plano de R$ 130 milhões voltado a auxiliar as empresas a diversificarem mercados. O governo brasileiro rejeita as justificativas apresentadas para a taxação.

Madeira e granito no centro da dependência americana
Entre os setores atingidos está o de madeira. Os Estados Unidos importam 30% desse produto do Brasil, e 66,7% da madeira brasileira tem origem no Paraná. Laudemir Müller destacou os efeitos da medida sobre o estado e sobre a própria economia americana.

‘Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana’, afirmou Laudemir Müller.
Ele também ressaltou a dificuldade de os Estados Unidos substituírem os fornecedores brasileiros no curto prazo, tanto no caso da madeira quanto no do granito, produto do qual o Brasil responde por 36% das importações americanas.

‘Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%’, declarou Müller.