O presidente da Rússia, Vladímir Putin, manteve na sexta-feira (6) uma conversa telefônica com Masud Pezeshkian, presidente do Irã, na qual reiterou as condolências de Moscou pelo assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de membros de sua família.
Trata-se do primeiro diálogo entre os dois líderes desde o início dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, marcando um momento estratégico nas relações bilaterais e na posição internacional de ambos os países diante da crise.
Putin já havia enviado um telegrama a Pezeshkian no dia 1º de março, classificando a morte de Khamenei como uma “cínica violação” de normas morais e do direito internacional. No contato desta sexta, o presidente russo reiterou seu pesar pelas vítimas civis e da cúpula militar e política iraniana, atribuídas à “agressão armada de Israel e Estados Unidos”. Pezeshkian agradeceu a solidariedade russa e garantiu a manutenção do intercâmbio de informações sobre a evolução do conflito.
Durante a conversa, Putin reforçou a necessidade de um “cese imediato das hostilidades” e do retorno urgente à diplomacia para evitar uma escalada maior. O líder russo afirmou ainda manter contatos permanentes com líderes do Conselho de Cooperação do Golfo e outras partes envolvidas na região, buscando promover a estabilidade diante dos recentes episódios de violência.
Pezeshkian destacou a defesa da “soberania e independência” do Irã frente à ofensiva externa e detalhou a situação atual do conflito, demonstrando disposição para manter canais de diálogo com Moscou.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que os contatos com representantes iranianos continuarão em diferentes níveis, evitando comentar sobre possíveis pedidos de assistência militar de Teerã. Peskov reforçou a intenção de manter a interlocução ativa, sem confirmar solicitações formais de aumento do apoio russo no contexto militar.
Segundo informações de fontes familiarizadas com a inteligência norte-americana, citadas por AP, The Washington Post e CNN, a Rússia compartilhou dados com o Irã que poderiam facilitar ataques a navios, aeronaves e outros ativos dos Estados Unidos na região. Embora as fontes tenham esclarecido que não há provas de instruções diretas sobre o uso dessas informações, trata-se da primeira evidência de envolvimento de Moscou no conflito iniciado recentemente por EUA e Israel contra o Irã.
Tarifas globais
A Casa Branca, por meio da secretária de imprensa Karoline Leavitt, minimizou o impacto dos relatos, afirmando que eles não alteraram o curso das operações militares no país, onde “os estamos diezmando por completo”. Leavitt evitou comentar se o presidente Donald Trump discutiu o assunto com Putin ou se Washington considera que Moscou deva sofrer consequências por facilitar inteligência a Teerã.
Rússia e Irã têm reforçado a cooperação nos últimos anos, principalmente desde o início da guerra na Ucrânia, com Moscou adquirindo misseis e drones iranianos. O governo de Joe Biden desclassificou informações sobre a transferência de drones de ataque do Irã para a Rússia, além de auxílio na construção de uma fábrica desses dispositivos no território russo. O governo anterior também acusou Teerã de fornecer mísseis balísticos de curto alcance, fortalecendo a cooperação militar entre os dois países.
(Com informações de EFE e AP)












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