Nos Estados Unidos, a condição das lavouras continua piorando.

Riscos elevam preços agrícolas no mercado global
Nos Estados Unidos, a condição das lavouras continua piorando. / Foto: Pixabay

Os mercados agrícolas globais entraram em uma fase de maior pressão sobre os preços, sustentados por riscos geopolíticos, climáticos e logísticos que afetam grãos e insumos. Segundo o Rabobank, o Bloomberg Agriculture Spot Index atingiu na última semana o maior nível desde meados de 2023 e acumula alta de quase 14,5% no segundo semestre de 2026.

As interrupções nos fluxos de combustíveis, fertilizantes e grãos no Oriente Médio e no Mar Negro seguem sem sinais claros de normalização, mantendo elevada a volatilidade e abrindo espaço para novas altas, especialmente no trigo. Na Europa, os baixos níveis dos rios Danúbio e Reno elevaram os custos logísticos e limitaram alternativas da Ucrânia para redirecionar exportações fora dos portos do Mar Negro.

Nos Estados Unidos, a condição das lavouras continua piorando, apertando o balanço do milho. Na França, estimativas da Comissão Europeia indicam produtividade do cereal quase 30% abaixo da média das últimas cinco safras.

Apesar da pressão recente, os balanços globais de grãos e oleaginosas permanecem relativamente confortáveis. O USDA estima que os estoques americanos de milho da safra anterior estejam no maior nível em seis temporadas, enquanto as grandes colheitas de trigo da última temporada entre importantes exportadores elevaram os estoques iniciais. A principal dúvida está no acesso efetivo a esses volumes diante das restrições logísticas.

Nos mercados de produtos agrícolas tropicais, as preocupações com o El Niño já influenciam o posicionamento especulativo. A atualização de agosto da NOAA atribuiu probabilidade de 69% de o fenômeno em curso se tornar, até o quarto trimestre de 2026, o mais forte desde o início dos registros, em 1950.