Mato Grosso do Sul receberá 46,5 mil doses da vacina contra chikungunya, mas o imunizante está na última fase de testes
Mato Grosso do Sul receberá 46,5 mil doses da vacina contra chikungunya, para imunizar moradores de Dourados e Itaporã, em meio à epidemia da doença, que já matou sete pessoas e causou 3,6 mil casos prováveis no Estado. No entanto, o imunizante está disponível apenas à rede pública de saúde e ainda não pode ser comprado em estabelecimentos privados.
A vacina contra a chikungunya do Instituto Butantan, única aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), está na fase 4 de monitoramento, etapa que avalia a efetividade em condições reais de uso. O imunizante é aplicado de forma controlada, em estratégia-piloto conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Butantan, já em andamento em municípios selecionados de Minas Gerais e São Paulo.
Após a declaração de emergência sanitária em Dourados, o Ministério da Saúde e a SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul) definiram que 43,5 mil doses sejam destinadas a Dourados e outras 3 mil a Itaporã.
Segundo o Butantan, a vacinação em regiões onde há alta circulação do vírus é essencial para avaliar a efetividade de um imunizante. Assim, o Instituto irá monitorar os casos positivos e negativos de chikungunya nos municípios participantes da estratégia e comparar os dados entre vacinados e não vacinados.
Vacina
A vacina do Butantan contra a chikungunya é a primeira do mundo a ser disponibilizada para prevenir a doença. Ela foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025 e teve segurança e capacidade de gerar anticorpos comprovadas em estudos clínicos feitos nos Estados Unidos. Dos 4 mil voluntários adultos que participaram da pesquisa, 98,9% produziram desenvolveram proteção à doença.
A tecnologia do imunizante é de vírus atenuado, então ele não é indicado para:
Pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas,
Pessoas que tenham mais de uma condição médica crônica ou mal controlada (comorbidades);
Mulheres grávidas ou que estejam amamentando.
Entre as principais reações adversas que podem ocorrer após a aplicação da vacina estão dor de cabeça, enjoo, cansaço, dor muscular, dor nas articulações, febre e reações no local da injeção (sensibilidade, dor, vermelhidão, endurecimento, inchaço). Além do Brasil, o produto já foi aprovado para uso no Canadá, Reino Unido e Europa
Plano de vacinação
Dourados foi incluído como município elegível na estratégia piloto nacional de vacinação contra a chikungunya, com planejamento em andamento para definição das etapas de implementação. A estratégia inclui, ainda, a preparação das equipes de saúde e a organização da rede para aplicação das doses conforme diretrizes nacionais.
Conforme informado pela SES-MS, povos indígenas serão prioridade para receber a imunização. Mulheres gestantes, no entanto, não poderão receber a dose. O público-alvo será dos 18 aos 59 anos, sem comorbidades, conforme orientação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
“A expectativa é bastante positiva. Fomos contemplados através desse projeto do Butantan com o Ministério da Saúde, um projeto-piloto, com mais de 46 mil doses da vacina, destinadas à população de 18 a 59 anos, sem comorbidades, para os municípios que estão com alto índice epidêmico, que são, neste caso, Dourados e Itaporã”, afirma a secretária adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone.
A coordenadora de Imunização da SES (Secretarial Estadual de Saúde), Paula Goldfinger, explica que a distribuição das doses considera critérios técnicos e o impacto da doença na região. “Dourados concentra o maior volume de doses devido ao cenário epidemiológico, e toda a estratégia está sendo estruturada para garantir uma implementação segura e eficiente.”
Chikungunya em MS
Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do Aedes aegypti. Cidades de Mato Grosso do Sul enfrentam epidemia da doença e o Estado já registrou sete mortes, além de 3.665 casos prováveis. Outras duas mortes são investigadas em Dourados.
O epicentro no Estado é a cidade de Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. O município concentra cinco mortes e 1.365 casos confirmados, recebeu apoio da Força Nacional do SUS, teve reconhecimento de emergência sanitária e mais de R$ 3,1 milhões de recursos federais para enfrentamento da epidemia.
Os óbitos registrados por chikungunya em Mato Grosso do Sul são de dois bebês, de um mês e três meses; além de cinco idosos: de 83, 73, 72, 69 e 60 anos. Segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde), três dos idosos possuíam comorbidades, como pressão alta, diabetes e obesidade.
Assim, todas as pessoas que morreram de chikungunya no Estado estavam no principal grupo de risco: extremos de idade. “Nos grupos de risco, a probabilidade de morte é bem elevada. Na população em geral, é muito baixa, é um mínimo que interna e evolui com gravidade”, explica a infectologista Andyane Tetila.













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