Paciente é um militar que ficou tetraplégico há cerca de dois meses.

Por ordem judicial, MS faz 1ª cirurgia com polilaminina em paciente tetraplégico
Procedimento será no Hospital Militar de Área de Campo Grande. / Foto: Kísie Ainoã/Arquivo

Uma cirurgia com o uso da polilaminina, medicamento em fase de estudos que é promissor para devolver movimentos após lesões na medula, será realizada nesta quarta-feira (14) em Campo Grande. O experimento será inédito em Mato Grosso do Sul. O paciente é um militar. Ele ficou tetraplégico há cerca de dois meses.

Como o medicamento ainda não tem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercialização, o homem teve que entrar com uma ação judicial para obter acesso autorizado ao tratamento experimental. A decisão liminar foi favorável para que a polilaminina fosse fornecida pelo laboratório Cristália, que atua em parceria com pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que desenvolveram a droga, liderados pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio.

A polilaminina será injetada na medula durante o procedimento. O local da cirurgia será o Hospital Militar de Área de Campo Grande.

Outros pacientes brasileiros já conseguiram o acesso por ordem judicial. Um exemplo é o do vidraceiro Diogo Barros Brollo, 35, que sofreu lesão medular total após cair de um prédio durante o trabalho, em Friburgo (RJ). Ele ficou paraplégico, perdendo movimentos e a sensibilidade da cintura para baixo. Conforme publicou a Folha de S. Paulo em 8 de janeiro deste ano, ele relatou ter conseguido mexer o pé 1 semana depois da cirurgia.

O que é?

A polilaminina é uma proteína capaz de regenerar as células da medula, restabelecendo parcial ou totalmente a mobilidade dos pacientes que tiveram lesões.

Segundo o laboratório, os efeitos mais expressivos são observados quando a aplicação ocorre em até 24 horas após o trauma, mas há benefícios também em lesões antigas. O tratamento exige uma única dose e sessões de fisioterapia para reabilitação.

O medicamento foi desenvolvido no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. O trabalho começou em 2007.

Na atual fase de estudos, a polilaminina será testada em cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos. Eles são portadores de lesões agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10, com indicação cirúrgica ocorrida em até 72 horas após a lesão.

De acordo com a professora Tatiana Sampaio, os locais da nova fase de estudos da polilaminina ainda não foram definidos. Ela estima que, após liberação da Anvisa, o medicamento chegue ao mercado entre dois a três anos.