Ações repetitivas como girar em círculos e seguir sombras sem parar indicam alteração comportamental.
Aquela cena do cachorro correndo atrás do próprio rabo pode até parecer engraçada, mas, dependendo da frequência e da intensidade, merece atenção. Assim como os humanos, os cães também podem desenvolver comportamentos compulsivos semelhantes ao TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). E O hábito de perseguir a própria cauda repetidamente é um dos sinais que podem indicar o problema.
Segundo o médico-veterinário Thiago Oliveira, Estudos sobre comportamento animal apontam que esses episódios deixam de ser uma brincadeira quando passam a acontecer de maneira excessiva, repetitiva e difícil de interromper. O comportamento pode até prejudicar a rotina do animal, provocando estresse e, em algumas situações, ferimentos.
“Comportamentos repetitivos precisam ser observados pelos tutores. É importante diferenciar uma atitude ocasional de uma compulsão. Um cachorro que corre atrás do rabo durante uma brincadeira, por exemplo, não necessariamente apresenta algum transtorno. O alerta aparece quando ele repete a ação insistentemente, sem conseguir parar”, explica.
Além de perseguir a própria cauda, outros sinais podem chamar a atenção. Entre eles estão lamber ou morder as patas por longos períodos, correr atrás da própria sombra, perseguir luzes, girar em círculos e insistir em movimentos que parecem não ter uma finalidade.
Segundo o especialista, as causas dos comportamentos compulsivos em cães não são totalmente compreendidas. Fatores genéticos, alterações na química cerebral e questões ambientais podem estar envolvidos.
“Estresse, ansiedade, frustração, falta de estímulos e pouco espaço para gastar energia também podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento desses comportamentos”, destaca o veterinário.
De acordo com ele, comportamento repetitivo pode começar ainda nos primeiros meses de vida.
A notícia boa é que o transtorno tem tratamento e o primeiro passo é procurar um médico-veterinário para investigar o que está acontecendo. Isso porque nem todo comportamento repetitivo significa TOC. “Dores, problemas de pele, alterações neurológicas e outras condições de saúde também podem provocar atitudes semelhantes. Então, sempre tem que investigar”, pontua.
Quando existe um transtorno compulsivo, o tratamento pode envolver mudanças na rotina, enriquecimento ambiental, atividades físicas, estímulos mentais e acompanhamento comportamental. Em alguns casos, o veterinário pode recomendar medicamentos.
A orientação é não repreender ou castigar o animal quando ele apresentar esses comportamentos. A punição pode aumentar o estresse e piorar o quadro.
“Oferecer passeios, brincadeiras, brinquedos interativos e atividades que estimulem o faro são algumas maneiras de melhorar a qualidade de vida do pet”, aconselha o especialista.
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