Para a ministra, uma CPI impulsionada pela direita tende a expor governos estaduais e aliados do bolsonarismo, diretamente envolvidos em operações sob investigação.

Oposição tem muito mais a explicar sobre o Caso Master do que o governo, diz Gleisi
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. / Foto: SRI/Divulgação

A oposição ao governo Lula tenta emplacar, para a volta do Congresso em 1º de fevereiro, a criação de uma CPI do Banco Master.  As assinaturas necessárias já foram reunidas. No Planalto, porém, a avaliação é de que os enrolados no escândalo são justamente os adversários do presidente.

“A oposição tem que explicar o envolvimento de seus governos com essa questão. Governo do Distrito Federal, governo do Rio de Janeiro estão envolvidos”, afirmou a ministra Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do Planalto, em café da manhã com jornalistas nesta quarta-feira, 28.

No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB), aliado do bolsonarismo, é alvo de pedidos de impeachment na Câmara Legislativa e de apurações na Procuradoria-Geral da República. O foco são negócios bilionários firmados entre o Banco de Brasília (BRB), estatal controlada pelo GDF, e o Banco Master — operações que, ao que tudo indica, provocaram prejuízos ao BRB. Falta saber a dimensão do rombo.

No Rio de Janeiro, uma operação recente da Polícia Federal, batizada de Barco de Papel, investigou a aplicação de recursos do Rioprevidência, fundo de pensão de servidores e pensionistas fluminenses, em produtos financeiros do Master. O estado é governado por Cláudio Castro (PL), outro bolsonarista.

Gleisi também destacou o elo político-financeiro que liga o banco à direita. “A oposição tem que explicar por que o Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha do Bolsonaro e do Tarcísio”, disse. “Me parece que há muito mais explicações a serem dadas pela oposição do que pelo governo.”

Nas eleições de 2022, Zettel doou 3 milhões de reais à campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) e outros 2 milhões de reais à de Tarcísio de Freitas (Republicanos), então candidato ao governo de São Paulo. Além da dupla, financiou apenas mais um nome: Lucas de Vasconcelos Gonzalez, candidato a deputado federal por Minas Gerais pelo Novo, partido do governador Romeu Zema.

Para Gleisi, a tentativa de colar o caso Master ao governo Lula não se sustenta. Ela lembra que o Banco Central interveio no banco, que a Polícia Federal prendeu Vorcaro e que as investigações seguem em curso.  Sinais de atuação ‘rigorosa’ do governo, salientou.

A ofensiva, contudo, não se limita à proposta de CPI. Aparece também em reportagens que resgatam uma reunião de Lula com Vorcaro em 2024, no contrato firmado pelo Master com Ricardo Lewandowski quando este era ministro da Justiça, e em acordos do banco com o governo da Bahia, administrado pelo PT desde 2007.

Segundo Gleisi, esses episódios não alteram o quadro central: a reunião com Lula não impediu a derrocada do Master; foi durante a gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça que a Polícia Federal prendeu o banqueiro, em novembro — ele acabaria solto dez dias depois, graças a um habeas corpus —; e os contratos firmados na Bahia, sustenta a ministra, seguem parâmetros legais e regulares.