Força-tarefa cumpre 58 mandados de prisão em sete estados; três policiais rodoviários federais estão entre os detidos por facilitar esquema milionário.
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (9), as operações Sicarius I e Sicarius II para desarticular uma organização criminosa de alta periculosidade. O grupo é suspeito de comandar um esquema internacional de contrabando de cigarros e agrotóxicos, além de lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e adulteração de placas de veículos. O município de Maracaju está entre as cidades alvos das ordens judiciais.
A ofensiva nacional conta com o apoio estratégico da Receita Federal e da Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF). No total, a 1ª Vara Federal de Guaíra (PR) expediu 58 mandados de prisão (44 preventivas e 14 temporárias) e 62 de busca e apreensão.
Policiais Presos e Rompimento da Rede de Corrupção
Um dos pontos centrais da investigação é a conivência de agentes públicos no esquema. Três policiais rodoviários federais foram alvos de mandados de prisão, sob a acusação de receber propina para facilitar a passagem das cargas ilícitas pelas rodovias do país.
O impacto financeiro e estrutural contra a quadrilha também incluiu medidas administrativas severas:
- 45 ordens de sequestro e bloqueio de contas bancárias;
- Cancelamento de CPFs (5) e CNPJs (7) de laranjas e empresas de fachada;
- 67 aberturas de procedimentos fiscais contra empresas suspeitas em 12 estados.
A Rota do Crime e o Envolvimento de Maracaju
A organização criminosa utilizava a fronteira do Brasil com o Paraguai, principalmente a região de Guaíra (PR), como porta de entrada para os produtos contrabandeados. De lá, a mercadoria era distribuída em comboios logísticos sofisticados.
Para cumprir as ordens judiciais, uma força-tarefa composta por 220 policiais federais, 7 auditores fiscais e 2 analistas tributários foi mobilizada. Em Mato Grosso do Sul, as ações se concentraram em quatro municípios fundamentais para as rotas de escoamento: Maracaju, Nova Andradina, Mundo Novo e Eldorado.
Doleiro Movimentou R$ 375 Milhões
De acordo com os dados compartilhados pela Receita Federal, a lavagem de dinheiro da quadrilha era centralizada por um doleiro. Utilizando contas bancárias em nome de terceiros e firmas fantasmas, o operador financeiro conseguiu movimentar mais de R$ 375 milhões entre os anos de 2019 e 2024. Só em suas contas pessoais, o fluxo bruto passou de R$ 114 milhões.
"As medidas visam interromper o fluxo financeiro dos suspeitos e preservar ativos que poderão ser destinados ao ressarcimento dos prejuízos causados ao Estado e à sociedade", informou a Polícia Federal em nota oficial.
A PF também revelou que foram autorizadas medidas de cooperação jurídica internacional para mapear e identificar bens, contas bancárias e ramificações da estrutura criminosa que estejam localizadas no exterior. O nome da operação, "Sicarius", faz alusão a um dos codinomes utilizados pelo líder da organização.













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