Funcionários relataram gritos, humilhações públicas e ambiente de trabalho tóxico
O MPT (Ministério Público do Trabalho) ingressou com ação de execução na Justiça do Trabalho de Campo Grande para cobrar multa da Arquidiocese de Campo Grande por descumprimento de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) firmado em 2018 para prevenir e combater o assédio moral no ambiente de trabalho.
A medida foi tomada em 17 de dezembro de 2025, após o surgimento de novas denúncias em 2024, que levaram à abertura de um novo inquérito civil. Segundo o MPT, os relatos apontam que empregados foram submetidos a repreensões aos gritos, de forma pública, em episódios registrados nos anos de 2023 e 2024.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, uma das testemunhas afirmou que presenciou situações em que um gestor, padre, realizava repreensões exaltadas, com elevação de voz e exposição dos trabalhadores, o que causava constrangimento no ambiente laboral. O depoimento indica que as condutas eram recorrentes, contribuindo para um clima de tensão no local de trabalho.
Um relato mais detalhado descreve um episódio ocorrido em julho de 2024. A funcionária contou que foi chamada à atenção de forma agressiva, inicialmente com cobranças sobre o desempenho de outro colaborador, que evoluíram para gritos nos corredores, na frente de outros empregados. Segundo ela, houve tentativa de pedir que a conversa ocorresse de maneira reservada, mas a repreensão seguiu em tom elevado, com o gestor batendo na mesa e interrompendo qualquer explicação.
Ainda conforme o depoimento, o episódio provocou forte abalo emocional, levando a trabalhadora a relatar crises de estresse e dificuldade para retornar ao trabalho. Ela descreveu o ambiente como “tóxico' e psicologicamente desgastante, afirmando que os gritos e cobranças públicas não eram fatos isolados. Após o ocorrido, a funcionária entrou em período de férias e, posteriormente, relatou novos episódios semelhantes.
O MPT também registrou que a trabalhadora voltou a procurar o órgão para relatar supostas perseguições e represálias após os depoimentos. Houve ainda tentativa de obtenção de imagens de câmeras de segurança para apurar os fatos, mas as gravações já haviam sido apagadas, segundo a instituição, em razão do prazo de armazenamento.
Diante dos relatos, o Ministério Público do Trabalho concluiu que houve violação de cláusulas do TAC, especialmente as que proíbem o assédio moral, garantem proteção às testemunhas e determinam a aplicação de medidas disciplinares contra agressores. Por isso, o MPT pede o pagamento de multa atualizada em R$ 17,2 mil, além de medidas de bloqueio de bens caso não haja quitação no prazo legal.
O órgão ressalta que o pagamento da multa não afasta a obrigação de cumprimento integral do acordo, que continua em vigor.
A Arquidiocese de Campo Grande informou, por meio de sua assessoria jurídica, que não se manifesta sobre processos judiciais em curso. Em conversa com a reportagem do Campo Grande News, o assessor jurídico Danilo Augusto do Carmo Silva afirmou que “especialmente neste caso, não temos ainda conhecimento da ação'.











Olá, deixe seu comentário!Logar-se!