Segundo ele, logo no primeiro dia, coordenador liberou que monitor o espancasse: 'Você pode arrebentar ele'. PM e Conselho Tutelar resgataram 40 internos no local, em Anápolis, GO.
Um dos menores resgatado de uma clínica de reabilitação em Anápolis, a 55 km de Goiânia, revelou o cenário de violência com o qual tinha de conviver no local. Segundo o adolescente, que prefere não se identificar, as agressões eram frequentes, assim como o uso forçado de medicamentos para dormir. A Polícia Civil apura crimes de cárcere privado, tortura e até mesmo abuso sexual na instituição.
"No primeiro dia o coordenador me bateu e falou para o monitor 'qualquer coisa você pode arrebentar ele'. Fiquei quietinho. Ele me deu um remédio e eu fiquei um dia e meio apagado", afirmou o garoto.
A Polícia Militar e o Conselho Tutelar chegaram até o local na última sexta-feira (8), depois que um interno conseguiu fugir. No local, havia 40 pessoas entre menores e adultos, que se tratavam contra dependência química e transtornos de comportamento. O dono e os monitores estão desaparecidos.
Outro menor também afirmou que foi dopado. "Tomei um remédio lá e me botaram para dormir. Durante três dias trancado dentro do quarto, todo dia eu tomava, de meia em meia hora", afirma.
Grades nas janelas
Fotos às quais a TV Anhanguera teve acesso mostram como eram a clínica, que não tinha alvará para funcionar na cidade. Além de colhões furados e tomadas com fios expostos, as janelas tinham grades de ferro para impedir fugas.
Logo após o resgate, o conselheiro tutelar Joanan Fernandes afirmou que muitos internos denunciaram ter sido vítimas de crimes. “"[Eles denunciaram] abuso sexual, tortura.
Eles relataram que todos os dias, depois do almoço, eles tinham que ser trancados nos quartos. Quando chegamos lá, eles estavam presos mesmos. [O local tinha] banheiro frio, falta de comida e de higiene”, enumerou.
Dos 40 internos, nove adolescentes estão seguindo o tratamento em uma nova clínica. Já os outros 31 - entre menores e adultos - voltaram para a casa de parentes.
Os casos envolvendo menores serão investigados pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Já aqueles relacionados a adultos terão apuração por parte do 6º DP de Anápolis.













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