Para viabilizar o projeto, Governo Federal conta com a nova linha de crédito do BNDES

Malha Oeste puxa retomada ferroviária em MS e deve ir a leilão em 2026

Após anos de impasse, a Malha Oeste volta ao centro da estratégia do governo federal para destravar investimentos em ferrovias. O trecho, que corta Mato Grosso do Sul ligando Corumbá a Mairinque (SP), é um dos mais avançados na nova carteira de concessões e deve ter edital publicado ainda em 2026.

 
 

O projeto está na fase final de reestruturação na Agência Nacional de Transportes Terrestres. A previsão do Ministério dos Transportes é que a ANTT julgue a modelagem em maio e, em seguida, envie o processo ao Tribunal de Contas da União. Com aval do TCU, o leilão entra na fila para o segundo semestre.

Construída há mais de 100 anos, a ferrovia tem 1.973 km e hoje opera com baixa capacidade. O trecho em MS é estratégico para escoar minério de ferro e manganês de Corumbá, além de grãos e celulose produzidos no Estado. A concessão atual vence e o governo optou por relicitar, incluindo investimentos para modernização completa da via.

 
 

Em uma entrevista ao portal Valor Econômico, o ministro George Santoro afirma que a nova modelagem busca atrair operadores independentes e integrar a malha a outros corredores, como a Fico-Fiol. A aposta é reduzir o gargalo logístico que encarece o frete no Centro-Oeste.

Para viabilizar o projeto, o governo conta com a nova linha de crédito do BNDES, com prazo mínimo de 50 anos e carência nos primeiros anos de obra. “É fundamental para projetos greenfield e para reestruturações pesadas como a Malha Oeste”, disse Santoro ao Valor. A Selic em 14,5% ao ano aumenta o custo, mas a avaliação é que previsibilidade regulatória e matriz de risco bem definida seguram o interesse do mercado.