Presidente afirma que eventuais envolvidos no esquema devem ser punidos e minimiza impacto político das citações a Lulinha.

Lula diz que filho deve se explicar após menções em investigação do INSS
Presidente afirma que eventuais envolvidos no esquema devem ser punidos e minimiza impacto político das citações a Lulinha. / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5) que conversou diretamente com o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, após o nome dele aparecer em apurações da Polícia Federal relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Embora Lulinha não seja formalmente investigado no inquérito, seu nome foi citado em depoimentos e documentos reunidos na Operação Sem Desconto.

Em entrevista ao portal UOL, Lula relatou que adotou uma postura de cobrança pessoal diante das menções ao filho. Segundo o presidente, deixou claro que qualquer pessoa envolvida em irregularidades deve responder pelos próprios atos, independentemente de laços familiares. “Olhei no olho do meu filho e disse: se tiver alguma coisa errada, vai pagar o preço; se não tiver, que se defenda”, afirmou.

A Polícia Federal apura um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários e investiga a atuação de intermediários ligados a entidades que operavam junto ao INSS. Em uma das frentes da investigação, surgiram referências indiretas a Lulinha, incluindo a suspeita de uma possível sociedade informal com Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, por meio de terceiros. As apurações ainda estão em andamento e não houve, até o momento, indiciamento do filho do presidente.

Lula afirmou que confia no trabalho da Polícia Federal e defendeu a continuidade das investigações. “O processo não acabou, mas todos os responsáveis vão para a cadeia e o patrimônio construído ilegalmente será ressarcido para pagar os benefícios”, declarou. O presidente acrescentou que, caso alguém de sua família seja comprovadamente envolvido, deverá receber o mesmo tratamento previsto em lei.

No Congresso, a CPMI que investiga os desvios no INSS avalia novos requerimentos, incluindo pedidos de quebra de sigilo fiscal de pessoas citadas ao longo das apurações. Em 2025, propostas semelhantes chegaram a ser apresentadas, mas foram barradas pela base governista. O tema deve voltar ao debate nas próximas semanas, ampliando a pressão política sobre o Planalto.

Apesar do discurso de rigor, a oposição vê o caso como mais um elemento de desgaste para o governo em um ano pré-eleitoral, enquanto aliados tentam separar as citações indiretas das responsabilidades formais. O desfecho da investigação da PF e o andamento da CPMI devem definir o impacto efetivo do episódio no cenário político nacional.