Um avanço relâmpago do grupo apoiado pelo Irã neste mês alastrou o ⁠conflito pelo Oriente Médio a um novo teatro de operações e ameaçou ainda mais o ‌abastecimento global de energia.

Houthis avançam no Iêmen após Trump cancelar ataques
Houthis avançam nas montanhas do Iêmen; Trump recua. / Foto: Reuters – de Sanaá

Combatentes houthis avançavam ‌para tomar posições estratégicas no Iêmen nesta segunda-feira, com o objetivo de isolar a costa do Mar Vermelho das áreas ainda controladas pelas forças apoiadas pela Arábia Saudita, após notícia de que o presidente Donald Trump havia cancelado, no último minuto, ataques dos EUA contra o grupo.

Um avanço relâmpago do grupo apoiado pelo Irã neste mês alastrou o ⁠conflito pelo Oriente Médio a um novo teatro de operações e ameaçou ainda mais o ‌abastecimento global de energia.

Washington rejeitou até o momento os repetidos apelos do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para que se juntasse à luta no Iêmen. ‌Os houthis afirmaram no sábado ter disparado contra Riad, ‌onde estrondos altos foram seguidos por colunas de fumaça visíveis perto do aeroporto.

A ⁠Arábia Saudita não se pronunciou sobre os primeiros ataques aparentes à capital desde o início da escalada.

O New York Times informou que o governo Trump se preparou no domingo para lançar ataques aéreos contra os houthis após novos apelos do príncipe herdeiro saudita. Mas o jornal disse que Trump cancelou os ataques aéreos no último minuto, enquanto as tropas carregavam ‌bombas nas aeronaves.

À agência inglesa de notícias Reuters não conseguiu verificar imediatamente a informação, e o Comando Central das ‌Forças Armadas dos EUA não ⁠respondeu a um email ⁠solicitando comentários.

Conflito
Os houthis, que controlam a capital do Iêmen desde 2014, tomaram a ⁠costa do Mar Vermelho do país neste mês ‌em um avanço relâmpago que ‌derrotou as forças de um governo iemenita reconhecido internacionalmente, apoiado pela Arábia Saudita e com sede no sul.

A Arábia Saudita lançou centenas de ataques nos últimos dias contra as posições dos combatentes nas terras altas, segundo os houthis. Mas a ⁠vantagem do poder aéreo pouco fez, até o momento, para frear o avanço dos combatentes, à medida que as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita foram se dissipando.

De acordo com as Nações Unidas, quase 700 pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas nos combates. Mais de 120 mil iemenitas fugiram de ‌suas casas dentro do Iêmen, e outros milhares fugiram de barco pelo Mar Vermelho rumo à África.

Cinco fontes militares iemenitas disseram à Reuters que os houthis agora buscam ⁠tomar alturas estratégicas, conhecidas como as Montanhas Kahboub, em duas províncias, Taiz e Lahij, que separam a costa do Mar Vermelho do sul controlado pelo governo.

Os combates têm se concentrado nos arredores do remoto distrito montanhoso de Al-Wazi’iyah, na província de Taiz, e em Ras al-Ara, ao longo da costa do Oceano Índico, entre a foz do Mar Vermelho — que os combatentes capturaram na semana passada — e a base do governo em Aden.

O objetivo dos houthis é garantir a retaguarda de suas forças ao redor do Estreito de Bab al-Mandab, que dá acesso ao Mar Vermelho, assumindo o controle das alturas, o que lhes permitiria abrir novas frentes, segundo as fontes. Isso ajudaria a proteger as posições expostas que os houthis capturaram durante seu avanço em torno de Dhubab, no Mar Vermelho, e na Ilha de Perim, no estreito.