O programa de combate ao endividamento permitirá uso de até 20% do Fundo de Garantia para quitar débitos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (30) o Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas com uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Especialista em finanças defende que o fundo é um patrimônio e não deveria ser usado para pagar dívidas do dia a dia.
O anúncio foi realizado em pronunciamento pelo Dia do Trabalhador. A iniciativa deve oferecer descontos de até 90% nas dívidas e permitir uso de até 20% do FGTS. Além disso, quem aderir ao Novo Desenrola fica bloqueado por um ano em todas as bets — plataformas de apostas on-line.
Apesar de o objetivo ser combater o endividamento do brasileiro, especialista em finanças de Campo Grande discorda do programa. “Na minha opinião, a pessoa nem deveria usar o FGTS, que é um patrimônio dele, para pagar dívidas de consumo”, diz Luis Serrano, pós-graduado em Finanças Comportamentais.
Na opinião de Luis Serrano, a primeira edição do Desenrola Brasil não conseguiu resolver o endividamento e esta também não alcançará o objetivo. “Quantos mais ‘desenrola’ precisaremos? Considerando isso, entendo que esse não é o caminho para solucionar o problema.”
Um em cada sete estão endividados
A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) mostra que 70% dos campo-grandenses estavam endividados no fim de março. A pesquisa com dados de abril deve ser divulgada nos próximos dias.
Entre esses endividados, 28% têm contas em atraso e 12% dizem que não terão condição de pagar. Cartão de crédito é o principal tipo de dívida, responsável por 97,6% dos débitos.
Para o especialista em finanças, educação financeira é a solução: “Fazer o monitoramento das próprias finanças, estar atento aos momentos em que compra por impulso, diferenciar compras por necessidade e desejo, criar fontes adicionais de renda e renegociar dívidas que efetivamente consiga honrar”, conclui Luis Serrano.
Novo Desenrola
O programa é uma reformulação da política anterior de renegociação, numa tentativa de aliviar o orçamento das famílias, especialmente aquelas com dívidas como cartão de crédito e cheque especial. O governo espera impacto relevante na economia, com a liberação de recursos do FGTS para pagamento de dívidas.
Mais detalhes técnicos devem ser divulgados nesta segunda-feira (4) pelo Ministério da Fazenda. Porém, preliminarmente, o que se sabe é que o Novo Desenrola deve beneficiar famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, cerca de R$ 8.105.
Em um segundo momento, microempreendedores individuais e pequenas empresas também devem ser contemplados no programa. As negociações serão realizadas diretamente com os bancos e podem garantir descontos de até 90%.
A princípio, os novos financiamentos devem ter juros menores que 2% ao mês, além da possibilidade do uso do FGTS. A utilização do saldo para quitar os débitos deve ser limitada a 20% do total. Conforme o ministro do Trabalho e Emprego, devem ser liberados cerca de R$ 4,5 bilhões do fundo.













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