Após enfrentar relacionamentos abusivos e questionar a própria sexualidade, Camila Voluptas encontrou no diálogo com o marido um caminho para explorar novas experiências e passou a organizar eventos para adeptos do universo liberal.
Durante anos, a sexualidade foi um assunto cercado de conflitos para Camila Voluptas. Criada em um contexto evangélico e após passar por um relacionamento marcado por violência física e psicológica, ela chegou a uma nova relação carregando inseguranças e dificuldades na vida íntima.
A mudança começou quando encontrou no atual marido espaço para conversar abertamente sobre desejos, limites e inseguranças. A partir dessas conversas, o casal passou a conhecer o chamado universo liberal e, posteriormente, Camila transformou a experiência pessoal em atividade profissional.
Hoje, além de atuar como sexóloga, ela organiza eventos voltados para pessoas interessadas em relações não monogâmicas e no universo do swing.
Tudo começou com uma conversa
Segundo Camila, a falta de libido após experiências negativas fez com que ela passasse a questionar a própria sexualidade.
Em vez de interpretar a situação como um problema do relacionamento, o marido decidiu conversar sobre o assunto e demonstrou que estava disposto a compreender o que ela sentia.
“A falta de interesse por sexo me fez questionar minha sexualidade”, contou.
O diálogo abriu espaço para que os dois falassem sobre fantasias e possibilidades. Com o tempo, vieram festas, encontros com outros casais e novas experiências.
A vivência acabou levando Camila a se aproximar cada vez mais da comunidade liberal, até que ela decidiu criar uma estrutura própria para reunir pessoas interessadas nesse estilo de relacionamento.
Swing não seria solução para crise no relacionamento
Para Camila, um dos principais equívocos sobre o swing é imaginar que a prática pode servir para recuperar um relacionamento em crise.
Na avaliação dela, a dinâmica exige justamente o contrário: confiança, diálogo e estabilidade entre os parceiros.
“Só dá certo com relação bem resolvida”, afirma.
Ela também contesta a ideia de que as mulheres tenham participação secundária nessas relações. Segundo a sexóloga, elas frequentemente assumem papel central na definição dos limites e na decisão sobre o que será feito.
Cada casal estabelece suas próprias regras
Não existe, segundo Camila, um modelo único para quem decide experimentar o universo liberal.
Alguns casais preferem apenas observar. Outros estabelecem limites específicos para determinadas práticas ou permitem experiências individuais, desde que determinadas condições sejam respeitadas.
No relacionamento dela, as regras podem mudar de acordo com o momento.
Antes de participar de qualquer evento, o casal conversa sobre como cada um está se sentindo. Caso um dos dois não esteja confortável, a experiência pode simplesmente não acontecer.
A principal regra, porém, permanece: ninguém é obrigado a participar de algo contra a própria vontade.
Curiosidade não significa obrigação
Para quem tem curiosidade sobre o universo liberal, Camila recomenda começar sem pressão.
Uma possibilidade, segundo ela, é conhecer um ambiente destinado a esse público apenas para observar e entender como funciona.
A experiência também pode ajudar cada pessoa a identificar seus próprios limites.
Ciúme, ansiedade ou desconforto, por exemplo, não precisam ser escondidos. Pelo contrário: para a sexóloga, reconhecer esses sentimentos é fundamental para evitar que uma experiência consensual se transforme em fonte de sofrimento.
O medo do julgamento
Antes de tornar sua vida pública, Camila também precisou lidar com o receio das consequências.
Ela temia perder amizades, sofrer preconceito, ter a maternidade questionada e até prejudicar o próprio casamento.
Algumas amizades, de fato, terminaram depois que ela passou a falar abertamente sobre sua trajetória.
Apesar disso, Camila afirma não se arrepender da decisão.
“É libertador ser você mesmo em qualquer lugar e ter pessoas que me amam independentemente das minhas escolhas”, declarou.
O relacionamento, por outro lado, permaneceu.
Experiência aproximou o casal
Camila afirma que a experiência acabou produzindo um efeito diferente do que muitas pessoas imaginam.
Em vez de afastá-los, o processo teria fortalecido a relação. Segundo ela, o casal aprendeu a conversar mais, reconhecer os próprios erros e respeitar os limites individuais.
Para Camila, uma das principais mudanças foi deixar de enxergar o parceiro como uma propriedade e passar a compreendê-lo como uma pessoa com desejos, vontades e autonomia.
“O swing nos ensinou a importância do diálogo e do perdão”, afirmou.
De experiência pessoal a comunidade
A trajetória fez com que Camila deixasse de ser apenas uma participante desse universo e passasse também a atuar na organização de eventos.
Atualmente, ela reúne pessoas interessadas em conhecer diferentes formas de relacionamento e sexualidade, além de compartilhar informações sobre consensualidade e limites.
Para quem pretende conhecer esse universo, o conselho da sexóloga é direto: buscar informação, conversar com o parceiro e não fazer nada por pressão.
A experiência, segundo ela, deve começar pelo consentimento e pela disposição de ambos para descobrir, juntos, até onde desejam ir.













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