Incidente aumenta tensão em meio às ameaças de Trump sobre ataques ao Irã na ausência de acordo nuclear, enquanto diplomatas buscam negociações.

EUA abatem drone iraniano que se aproximava de porta-aviões no Oriente Médio
O porta-aviões USS Abraham Lincoln. / Foto: Kevin Carter/Getty Images

O Exército dos Estados Unidos informou que abateu nesta terça-feira, 3, um drone iraniano que se aproximava “agressivamente” do porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Mar Arábico, no Oriente Médio. Mais tarde, um destróier da Marinha prestou auxílio a um petroleiro de bandeira americana que estava sendo “importunado” por várias embarcações iranianas enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz, um acúmulo de incidentes tensos em meio às ameaças do presidente Donald Trump sobre um ataque ao Irã caso não seja assinado um acordo nuclear.

De acordo com comunicado do Comando Central dos Estados Unidos, um caça americano atirou contra um drone Shahed-139 que voava em direção ao porta-aviões “com intenções incertas”.

“Um caça F-35C do Abraham Lincoln abateu o drone iraniano em legítima defesa e para proteger o porta-aviões e a tripulação a bordo”, disse o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central das Forças Armadas. Nenhum militar americano ficou ferido durante o incidente e nenhum equipamento americano foi danificado, acrescentou ele.

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Horas depois, em outro incidente ocorrido nesta terça-feira, forças da Guarda Revolucionária Islâmica assediaram um navio mercante de bandeira americana e com tripulação americana no Estreito de Ormuz, informou o Comando Central.

“Duas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica e um drone iraniano Mohajer se aproximaram em alta velocidade do M/V Stena Imperative e ameaçaram abordá-lo e apreendê-lo”, declarou Hawkins.

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Entre ameaças e negociações
O incidente ocorreu enquanto diplomatas tentam organizar negociações entre o Irã e os Estados Unidos para a assinatura do acordo de não proliferação de armas nucleares que Washington propõe. Em paralelo, o presidente Trump alertou que, com navios de guerra americanos indo em direção ao país no Oriente Médio, “coisas ruins” aconteceriam caso as tratativas falhassem.

A armada liderada pelo porta-aviões Abraham Lincoln é a parte mais visível do reforço militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, enviado à região após o regime iraniano reprimir com violência a onda de protestos antigovernamentais do mês passado — a revolta mais letal no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, com mais de 6 mil mortos e cerca de 40 mil presos.

Trump, que não levou à cabo as ameaças de intervir durante a repressão, exigiu desde então que Teerã fizesse concessões em tratativas sobre o pacto nuclear e enviou uma frota naval para sua costa. Ele afirmou na semana passada que o Irã mantinha “conversas sérias” com seu governo, enquanto a principal autoridade iraniana de segurança, Ali Larijani, disse que preparativos para as negociações estavam em andamento.