Jacob Meeuwis Breurer, presidente do Hospital Municipal Dona Elmíria Silvério Barbosa, sabia que precisava criar uma rede de influência em Sidrolândia, para proteger seus interesses e fugir de possíveis investigações.

Em troca de “mimos” e aluguel de casa, delegada dava apoio a líder de organização criminosa
Jacob usou dinheiro para criar rede de influencia em Sidrolândia. / Foto: Divulgação.

Jacob Meeuwis Breurer, presidente do Hospital Municipal Dona Elmíria Silvério Barbosa, sabia que precisava criar uma rede de influência em Sidrolândia, para proteger seus interesses e fugir de possíveis investigações. Para isso, fez favores financeiros a integrantes da Polícia Civil do município e pagou até o aluguel do apartamento em que a delegada morava.

As investigações do Ministério Público Estadual mostram que havia uma relação de troca de favores entre Jacob e a delegada Cynthia Karoline Bezerra Gome Tapias, além de outros integrantes da policia de Sidrolândia. Em 2024, eles negociaram que o presidente passaria a pagar o aluguel do apartamento que a delegada morava

“A presidência do Hospital revelou-se muito mais do que um cargo de gestão. Transformou-se em verdadeiro centro de poder, capaz de conectar os interesses privados decorrentes de seu patrimônio empresarial aos interesses públicos relacionados à destinação de recursos estatais”, destacou o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

O primeiro episódio de troca de favores aparece em conversa interceptada de março de 2023. Na ocasião, a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho, procurou Jacob solicitando que ele pagasse R$ 450 referente a retirada de adesivos e o polimento de uma viatura descaracterizada destinada a delegada. Na mensagem, a policial fala para ele fazer o pix direto para a delegada.

Ou seja, Cristina sabia da troca de favores e agia para fortalecer a relação, sendo braço direito da delegada. Ela também foi alvo de busca e apreensão na Operação Dirty Pix. Em março de 2024, também foi a policial que intermediou conversa com Jacob sobre o aluguel da delegada.

A conversa mostra que o apartamento pertencia a Lucio Basso, sócio de Jacob, então foi feito um acordo para que a delegada morasse lá sem precisar pagar o aluguel. Cristina, que tinha planos de ser delegada em Sidrolândia, tentou ser vereadora pelo PL em 2024 e nesta terça-feira (13), foi afastada de suas funções pela Corregedoria.

Cynthia assumiu como delegada em julho de 2022 em Sidrolândia, onde atuou até ser transferida para Campo Grande, em março de 2025, após o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte. Ela foi uma das delegadas que assumiram a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande.

Consta em Diário Oficial que ela foi transferida para o Espirito Santo em 25 de outubro de 2025, com ônus para origem. Ou seja, segue recebendo salário por Mato Grosso do Sul, de R$ 23,9 mil.

Troca de favores na polícia
“Em contrapartida, Jacob passou a contar com uma estrutura policial informalmente colocada à sua disposição, recebendo informações sigilosas, antecipação de diligências, identificação de denunciantes etc. Não eram favores unilaterais, mas uma relação de troca, em que Jacob utilizava seu poder econômico para seus propósitos ilícitos”, aponta o Gecoc.

O então presidente do hospital também realizou favores a outros policiais civis de Sidrolândia e foi recompensado com lealdade, o que ficou evidente em dezembro de 2023. Na época, funcionário de uma das empresas de Jacob foi preso ao disparar tiros para o alto e ele interviu para beneficiá-lo. “A delegada vai tentar tirar o disparo do BO, tá? Do BO que veio da Militar. E aí ela vai diminuir a fiança. Daí você me passa o Pix, ou eu vou aí pagar essa fiança.”

“Os elementos colhidos ao longo da investigação demonstram que Jacob Meeuwis Breure já interferiu concretamente na atuação da Polícia Judiciária, utilizando a rede de influência construída mediante sucessivas vantagens indevidas concedidas a integrantes da Delegacia de Polícia de Sidrolândia para alterar os rumos de procedimento criminal envolvendo pessoa diretamente vinculada ao seu grupo empresarial”, concluiu o Gecoc.

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