Moradores relatam isolamento, medo e risco de repressão em meio aos bombardeios na Venezuela

Em MS, venezuelanos relatam desespero de familiares após ataques dos EUA
Cunhado, irmã, mãe e sobrinha de Gabriela em shopping da Capital / Foto: (Foto: Arquivo Pessoal)

“Estão desesperados”, afirma Gabriela Isabella Méndez, de 25 anos, que deixou a Venezuela há sete anos. No país de origem da secretária ainda vivem a mãe, irmãos e sobrinhos, que acordaram na madrugada deste sábado (3) com ataques atribuídos ao governo dos Estados Unidos da América.

Gabriela conta que também dormia quando a família entrou em contato para avisar que poderia ficar sem comunicação, já que a capital, Caracas e outras cidades, estavam sob ataque. Segundo ela, as ações ocorreram com o uso de drones e atingiram pontos aleatórios.

As tensões entre os dois países já eram acompanhadas há anos pela família, mas a secretária afirma que ninguém acreditava que o conflito chegaria a esse nível. “A gente nunca acreditou nisso”, comentou.

Para Gabriela, o ataque americano foi bem articulado e pegou o governo venezuelano de surpresa. “Minha irmã disse que eles não chegaram hoje, que passaram a virada por lá. O Maduro fez um comunicado na TV pedindo para os soldados descansarem, isso foi na virada do dia 1º para o 2, e os ataques aconteceram na madrugada do dia 3”, relatou.

A cidade onde a família da jovem mora não está entre as atingidas. Todos estão em segurança e não houve feridos, mas o clima é de incerteza e medo. “Acabei de falar com eles. Meu irmão saiu para ir até o trabalho buscar algumas coisas e disse que está tudo isolado, não tem ninguém na rua. Eles ficam escondidos porque a polícia permanece do lado de fora e querem pegar os jovens para ajudar”, contou.

Até um ano atrás, a irmã, a sobrinha e o cunhado de Gabriela moravam em Campo Grande, onde viveram por oito anos. Em 2024, a irmã decidiu retornar à Venezuela após uma melhora nas condições de vida. O cunhado permaneceu no Brasil, mas estava no país vizinho visitando a esposa e a filha.

“Meu cunhado foi agora em dezembro e me pediu para avisar o patrão dele sobre o que está acontecendo por lá. A gente fica com medo, porque não sabe como o país vai reagir, o que vai acontecer agora. Quando soube do ataque, fiquei arrasada, porque eu nunca quis que eles voltassem para lá”, afirmou.