Por trás dos números frios das estatísticas, há histórias interrompidas e sonhos não realizados

Dirigir de dia e andar na faixa roubaram o futuro de Rayssa e a vida de Vidal em Campo Grande

Quem passa pela rua da casa onde vive Juvenira Silvestre Amarilha, de 74 anos, não imagina que, atrás daqueles muros, mora uma dor silenciosa e profunda, causada pelo vazio deixado após a morte do aposentado Valentim Vidal Amarilha, de 78 anos, vítima de atropelamento em Campo Grande (MS).

Em Mato Grosso do Sul, mais de 47,3 mil pessoas foram vítimas de acidentes de trânsito em 2025, conforme dados do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito). Desse total, 223 não sobreviveram. 

Por trás dos números frios das estatísticas, existem histórias como as de Valentim: vidas interrompidas, sonhos arrancados pela imprudência e famílias que aprenderam a conviver com ausências irreparáveis. Estas marcas permanecem não apenas em quem sobrevive aos acidentes, mas também na família deixada para trás.


 

Emocionada, Juvenira mal conseguiu encontrar palavras para falar sobre a perda do homem com quem foi casada por 50 anos. Lágrimas silenciosas tomaram conta da casa onde os dois dividiram a vida por cinco décadas. 

Hoje, o que restou foram lembranças espalhadas pelos cômodos e a saudade que pesa, sobretudo nos fins de tarde, horário que antes era preenchido pela presença, pela conversa e pela companhia do marido. “Nem essa televisão eu assisto mais, porque ele ficava o dia inteiro ali [sentado na sala de estar] assistindo.”

 
 

Casa vazia 
“Se ele [o motociclista] estava indo para algum serviço naquele dia, ele não chegou. Muito menos meu pai, que perdeu a vida.”