A visão dos diplomatas é de que os norte-americanos estão sendo obrigados a radicalizar ataques ou negociarem com o Irã.

Diplomacia brasileira vê EUA em “atoleiro” e Irã indo para o “tudo ou nada”
Fumaça é vista após série de ataques em Teerã, Irã, em 1º de março de 2026. / Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images

Diplomatas brasileiros com quem a CNN conversou disseram considerar que a evolução do conflito no Oriente Médio mostra os Estados Unidos “totalmente perdidos” e “entrando em um atoleiro”, para ficar em duas expressões utilizadas por eles nas conversas.

O motivo principal para essa leitura é a percepção de que os americanos parecem ter julgado que bastaria decapitar a liderança do regime para que ele caísse, mas o que se nota é uma capacidade de resistência bem estruturada por parte do Irã.

Veem, inclusive, os iranianos indo para o “tudo ou nada” na reação e não há sinal algum de que os ataques até agora tenham conseguido influenciar a população contra o regime ou mesmo fortalecer a frágil oposição no país.

Há dúvidas, inclusive na diplomacia brasileira, se os americanos aguentariam mais de um mês de guerra, como anunciado nesta segunda-feira (2) pelo presidente Donald Trump, sem antes buscar uma negociação.

Não porque haveria risco de uma derrota militar, mas pelas implicações de um conflito estendido na política doméstica americana e nos impactos econômicos do conflito na economia mundial.

Diante desse cenário, a leitura é de que dois caminhos devem se abrir no curto prazo: ou uma intensificação dos ataques, de forma a liquidar de vez o Irã, ou um chamamento da Guarda Revolucionária do Irã para negociar. (Com Blog do Caio Junqueira/CNN)