Com apenas 14 anos, a jovem maracajuense transforma o talento raro de seu braço esquerdo em determinação dourada e celebra convocação para a fase treinamento na Seleção Cadete Feminina de Handebol.
O esporte é feito de técnica e tática, mas, acima de tudo, é movido por paixão e destino. Para a maracajuense Rebeca Cavalcante Fernandes, de 14 anos, o destino começou a ser traçado com as mãos, mais especificamente, com a mão esquerda. O talento raro de ser canhota, aliado a um coração transbordando de determinação, levou a jovem promessa das quadras de Mato Grosso do Sul direto para o cenário mais cobiçado do esporte nacional: a Seleção Brasileira Cadete Feminina de Handebol.
O Início de um Sonho Prata da Casa
A jornada emocional de Rebeca começou em 2021, dentro das linhas do projeto social Gol de Mãos, em sua terra natal, Maracaju. Foi ali, entre o barulho dos tênis na quadra e o suor dos treinos diários, que a menina descobriu que o handebol não era apenas um jogo, mas o seu propósito de vida.
Com uma disciplina que impressionava os técnicos e um amor genuíno pelo jogo, ela não demorou a se destacar. Em quadra, Rebeca sempre teve uma assinatura única: o fato de ser canhota. No handebol, atletas canhotas são verdadeiras joias raras, especialmente para atuar na posição de Meia Direita. A curvatura de seus arremessos, o ângulo imprevisível para as goleiras adversárias e a facilidade de infiltração transformaram seu braço esquerdo em uma arma poderosa e um diferencial competitivo avassalador.
A Distância, a Saudade e a Perseverança
Mas o caminho em direção ao topo exige sacrifícios que testam a força de qualquer jovem. Em 2024, o talento de Rebeca rompeu as fronteiras do estado quando ela recebeu o convite para integrar a tradicional equipe do SESPORT/ANG Concórdia, em Santa Catarina.
No início de 2025, com as malas cheias de coragem e o peito apertado pela saudade de Maracaju, ela se mudou para o solo catarinense. Longe de casa, Rebeca transformou a saudade em garra. Cada treino pesado, cada queda e cada vitória foram tijolos na construção de uma atleta resiliente, focada em evoluir dia após dia.
"Sua história é o reflexo puro de que os maiores sonhos se tornam realidade quando a perseverança e a fé caminham de mãos dadas com o trabalho duro", vibram os familiares e primeiros incentivadores da atleta em Maracaju.
O Ápice: A Amarelinha em 2026
Todo o suor derramado valeu a pena. Vivendo o momento mais emocionante de sua precoce carreira, Rebeca recebeu a notícia mais esperada de sua vida neste ano de 2026: a convocação oficial para a fase de treinamentos da Seleção Brasileira Cadete.
Ao vestir a camisa verde e amarela, a jovem não representará apenas o seu clube atual, mas levará consigo a essência de suas origens. Rebeca faz questão de carregar com profundo orgulho o nome de Maracaju em cada conquista, servindo de espelho e inspiração para que outras crianças e jovens maracajuenses acreditem que, com foco e paixão, nenhuma linha de chegada é impossível de ser alcançada.
O Brasil agora começa a conhecer a força da nossa canhota de ouro.












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