Empresários do ônibus estão 'de olho' em mais R$ 45 milhões de recursos públicos que podem ganhar com o aumento

Consórcio Guaicurus volta a ameaçar com paralisação se tarifa não subir para R$ 7,79

De olho em R$ 45 milhões, os empresários do ônibus acionaram seu time de advogados para tentar “no tapetão” o aumento da tarifa técnica em Campo Grande.

 
 

Para tentar convencer a Justiça, o Consórcio Guaicurus ameaça uma nova paralisação, citando expressamente a greve dos motoristas ocorrida em dezembro do ano passado, apesar de, teoricamente, a empresa não ter comando sobre os trabalhadores.

Atualmente, a chamada tarifa técnica é de R$ 6,57. Isso significa que a diferença para a passagem de R$ 4,95 paga pelos usuários é bancada pela Prefeitura. O Consórcio Guaicurus quer que esse valor repassado pelo município, por bilhete, seja de R$ 7,79. Esse aumento pode render cerca de R$ 45 milhões a mais por ano aos empresários do ônibus.


 

Em novo recurso apresentado à Justiça, a concessionária usa da paralisação como argumento: “Caso a tarifa não seja aplicada de imediato, o agravante pode ter as suas atividades paralisadas, por falta de recursos, como ocorreu no final de 2025, além de estar sofrendo processo administrativo de intervenção do Município, configurando nítido perigo da demora inverso.”

O município já se manifestou nos autos ressaltando que a perícia realizada em outro processo mostrou que o valor da tarifa deveria ser de R$ 6,63 — bem próximo do valor atual recebido pelo Consórcio por passageiro — e lembrou que o Consórcio recebe quantias vultosas.

 
 

Somente em 2025, foram cerca de R$ 60 milhões entre isenção fiscal, subvenção da tarifa técnica e outros R$ 19 milhões das gratuidades que o município arca ao Consórcio.

O caso aguarda manifestação do Ministério Público. Depois, o relator, juiz Vitor Luis de Oliveira Guibo, deve tomar uma decisão.