Convenção no próximo domingo oficializa candidatura do ex-deputado, que tentará reerguer o palanque petista em Mato Grosso do Sul em meio ao desgaste do governo federal.

Com Lula em baixa, PT homologará candidatura de Fábio Trad domingo
Fábio Trad (dir) deve oficializar sua candidatura no domingo. / Foto: Reprodução

O PT homologará no próximo domingo (26), em Campo Grande, a candidatura do ex-deputado federal Fábio Trad ao Governo de Mato Grosso do Sul.

A missão do neopetista, porém, começa cercada de obstáculos: além de enfrentar um governador que buscará a reeleição em posição confortável, Fábio terá de carregar o peso político de um governo federal que atravessa um dos momentos mais delicados do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Impulsionado pelo deputado federal Vander Loubet (PT-MS), que articulou a sua ida para a legenda, Fábio tentará reposicionar o partido em Mato Grosso do Sul, onde o PT historicamente encontra dificuldades para conquistar o eleitorado.

A coligação reúne PT, PV, PCdoB e PSB, partidos que, juntos, têm pouca força eleitoral no Estado quando comparados ao bloco governista.

A tarefa não será simples. Eduardo Riedel (PP) chega ao processo eleitoral como favorito à reeleição e conta com uma ampla base política, formada por prefeitos, deputados e lideranças municipais.

Também aparecem no cenário os pré-candidatos Jefferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo), Renato Gomes (DC) e Lucien Rezende (PSOL).

A candidatura de Fábio representa uma guinada em sua trajetória política. Depois de décadas longe do PT, o ex-deputado surpreendeu aliados e adversários ao aderir ao projeto político de Lula, mudança que dividiu antigos eleitores e provocou críticas de setores mais conservadores.

Nem mesmo dentro da família haverá consenso. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), irmão de Fábio, deverá apoiar a reeleição de Eduardo Riedel e integrar o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República.

Missão difícil

Sem mandato desde 2022, quando não conseguiu se reeleger deputado federal mesmo obtendo 43.881 votos, Fábio aposta agora na exposição nas redes sociais e no apoio da estrutura petista para tentar voltar ao protagonismo político.

A estratégia, no entanto, esbarra no momento vivido pelo governo Lula. Pesquisas de opinião registram queda na aprovação do presidente, enquanto a oposição explora temas como a inflação de alimentos, o aumento da carga tributária em alguns setores, críticas ao ajuste fiscal, a crise envolvendo o desvio de R$ 6,3 bilhões em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS e investigações que atingem integrantes da administração federal.

Outro tema explorado pelos adversários do Planalto envolve operações financeiras relacionadas ao Banco Master. O presidente Lula, por exemplo, teria se encontrado quatro vezes com o banqueiro Daniel Vorcaro fora da agenda oficial. 

Mesmo diante desse cenário, o PT acredita que Fábio Trad poderá ampliar o espaço da legenda no Estado e fortalecer o palanque do presidente durante a campanha eleitoral.